Lula destina R$ 49 milhões do PAC para Nova Iguaçu e muda lógica de investimentos na Baixada
Ao contrário das emendas usadas pela antiga gestão, recurso federal chega como política estruturante; obras de macrodrenagem devem beneficiar milhares de moradores em áreas críticas
Nova Iguaçu foi contemplada com R$ 49 milhões do PAC Seleções, programa do governo Lula que prioriza grandes obras de infraestrutura e prevenção de desastres. O anúncio reforça uma guinada na forma como os recursos chegam à Baixada Fluminense: não se trata de emendas parlamentares, como ocorria em gestões passadas, mas de um aporte direto da União voltado para políticas públicas estruturantes.
Durante o mandato do ex-prefeito Rogério Lisboa, os investimentos federais tinham como principal canal a atuação do então deputado federal Dr. Luizinho, que viabilizava emendas individuais e de bancada. Embora essas emendas cumprissem papel importante em setores pontuais, não tinham a capacidade de gerar soluções definitivas para problemas históricos, como as enchentes que castigam Nova Iguaçu. O PAC, por sua vez, é um programa nacional de fôlego, que busca transformar estruturalmente a realidade urbana das cidades brasileiras.
Com os R$ 49 milhões, Nova Iguaçu terá pela primeira vez um projeto robusto de macrodrenagem, que inclui piscinões e caixas de retardo capazes de armazenar milhões de litros de água da chuva. O destaque é a obra planejada sob o viaduto Dom Adriano Hipólito, ponto crítico que há décadas simboliza o colapso da drenagem local. Técnicos do Ministério das Cidades estimam que a estrutura pode reduzir em até 70% os alagamentos em períodos de temporal.
Além dos reservatórios, o pacote prevê a recuperação de galerias antigas, a ampliação de canais de escoamento e obras de contenção em encostas vulneráveis. De acordo com estudos oficiais, Nova Iguaçu enfrenta, em média, 15 episódios de inundações relevantes por ano, com prejuízos econômicos e sociais que superam R$ 30 milhões anuais.
Nos últimos dez anos, a cidade recebeu apenas R$ 12 milhões para drenagem, valor considerado ínfimo diante da urbanização acelerada e das mudanças climáticas. O aporte do governo Lula vem, portanto, como uma mudança de rota: um investimento que ultrapassa disputas locais e sinaliza a Baixada como prioridade no planejamento nacional.
Mais que concreto e escavações, os R$ 49 milhões representam um novo olhar para uma região acostumada a sobreviver entre promessas. Para Nova Iguaçu, é a chance de transformar um problema crônico em política pública permanente — e não em moeda de barganha parlamentar.




