Furtos de cabos expõem fragilidade da infraestrutura urbana: RioLuz investe R$ 2,4 milhões em 2025 para conter crimes na iluminação pública
Somente na Linha Vermelha, 269 ocorrências foram registradas este ano; especialistas apontam mercado ilegal de cobre e alumínio como motor do problema
O furto de cabos e luminárias se tornou um dos maiores gargalos da infraestrutura do Rio de Janeiro. Entre janeiro e agosto de 2025, a RioLuz já destinou mais de R$ 2,4 milhões para tentar conter os prejuízos causados por ações criminosas que deixam trechos da cidade às escuras, comprometem a mobilidade urbana e aumentam a sensação de insegurança.
O impacto não é apenas financeiro. Cada metro de fio roubado compromete diretamente a segurança viária, expõe pedestres a riscos e gera sobrecarga nos sistemas de reposição. Somente na Linha Vermelha, principal ligação entre a Baixada Fluminense e a capital, foram registradas 269 ocorrências de furtos este ano, praticamente uma por dia útil. A repetição evidencia a falha estrutural em conter a cadeia do crime.
Medidas emergenciais

Para tentar frear os ataques, a RioLuz adotou medidas emergenciais: substituiu 270 tampões de ferro por concreto, instalou 650 câmeras de monitoramento em pontos estratégicos e trocou 103 quilômetros de cabos de alumínio. Também passou a usar caixas gradeadas para proteger luminárias em áreas mais visadas.
As mudanças buscam tornar o furto menos atraente ou mais difícil, já que o alumínio tem menor valor de revenda que o cobre e os tampões de concreto não despertam interesse do mercado ilegal. Ainda assim, os criminosos encontram brechas e continuam agindo.
As causas do problema
A escalada dos furtos está diretamente ligada ao comércio clandestino de metais. O cobre e o alumínio têm alto valor no mercado paralelo, alimentado por ferros-velhos irregulares que compram o material sem exigir comprovação de origem. A prática transforma a infraestrutura pública em alvo permanente.
Outro fator é a ausência de punição exemplar: poucos casos chegam a investigações profundas, e a reincidência de furtos nos mesmos trechos indica falha na articulação entre prefeitura, forças de segurança e Ministério Público.
O peso para a cidade
Além do custo de R$ 2,4 milhões já gasto apenas este ano, os furtos pressionam o orçamento público e atrasam planos de modernização da rede de iluminação. Técnicos da RioLuz relatam que equipes trabalham em regime contínuo para repor cabos e luminárias, o que drena recursos que poderiam ser aplicados em expansão e eficiência energética, como a troca por lâmpadas LED em bairros periféricos.
Desafio para além da RioLuz
A RioLuz, sozinha, não consegue resolver um problema que envolve segurança pública, fiscalização de ferros-velhos e combate ao mercado paralelo de sucata. Sem a integração entre diferentes esferas de governo, o ciclo de furto, reposição e novo furto tende a se repetir, como já ocorre em pontos críticos como Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil.
“Nosso objetivo é modernizar e preservar a iluminação pública, garantindo um serviço de qualidade para os cariocas”, declarou o presidente da RioLuz, Rafael Thompson. O discurso, contudo, esbarra na realidade de uma cidade onde a criminalidade organizada já incorporou o furto de cabos como fonte estável de renda.
Um problema que pede resposta política
O furto de cabos deixou de ser um episódio pontual e tornou-se questão de política pública. O investimento de R$ 2,4 milhões em 2025 revela a gravidade da situação, mas também escancara a fragilidade estrutural da cidade diante de um crime de fácil execução e difícil repressão. A pergunta que se impõe é: até quando o Rio de Janeiro seguirá apagado pela ação de grupos que transformam a escuridão em negócio?




