No fogo da mata: Brigadistas enfrentam incêndios na APA Gericinó Mendanha enquanto crimes ambientais persistem
Moradores denunciam queimadas criminosas de criadores de gado; brigadistas voluntários e Guarda Ambiental lutam contra chamas que ameaçam vidas, casas e a fauna da região.
O calor era quase insuportável, com temperaturas chegando perto dos 40ºC, quando as equipes da Guarda Municipal Ambiental de Nova Iguaçu e os brigadistas voluntários se dividiram entre fumaça e labaredas na APA Gericinó Mendanha. Entre sábado (20) e segunda-feira (22), eles combateram dois incêndios florestais de grandes proporções que devastaram cerca de 80 hectares de vegetação, ameaçando residências próximas e a vida de quem vive nos arredores.
“Quando cheguei, parecia que a mata estava viva de tanto que o fogo corria. As chamas avançavam rápido e, em alguns pontos, era impossível enxergar a estrada. Foi desesperador, mas conseguimos controlar”, lembra Marcos Silva, brigadista voluntário que passou quase 15 horas no combate às chamas.
O primeiro foco começou na madrugada de sábado, na região do Caonze, e se espalhou em direção ao Cruzeiro no domingo. A baixa umidade, o relevo irregular e o calor intenso tornaram o trabalho das equipes ainda mais desafiador. O fogo só foi totalmente extinto na madrugada de segunda-feira.
Para Carlos Januzzi, agente da Guarda Municipal Ambiental e coordenador da Brigada Florestal, a união entre brigadistas e Guarda foi essencial. “Sem a ajuda dos voluntários, os impactos teriam sido muito maiores. Cada faixa limpa que abrimos, cada estrada de acesso criada, fez diferença na rapidez do combate”, afirmou.
Apesar do esforço heróico, moradores denunciam que a tragédia poderia ter sido ainda maior se não fossem as práticas criminosas que se repetem semanalmente na APA. Criadores de gado usam a área verde como pasto e, sempre que a vegetação seca, ateiam fogo e desaparecem do local. “É um vai e vem constante. Carros e motos circulam por aqui todos os dias. Esses incêndios poderiam ter sido evitados se houvesse fiscalização mais rigorosa”, reclama Dona Maria, moradora da região há mais de 20 anos.
Além de destruir a mata nativa, essas queimadas colocam em risco a saúde da população, que sofre com a fumaça intensa, e ameaçam residências próximas. A fauna local também sofre, com animais fugindo das chamas ou morrendo no fogo.
A Prefeitura mantém cursos de formação para brigadistas voluntários, e quatro turmas já foram formadas em 2025, com novas inscrições previstas para 2026. “Nosso trabalho é combater o fogo e proteger a população, mas precisamos que os criminosos sejam responsabilizados. Só assim conseguiremos preservar a APA de forma duradoura”, alertou Januzzi.
Enquanto a fumaça se dissipa, a população observa apreensiva e os brigadistas descansam por algumas horas. Mas todos sabem: o ciclo de incêndios criminosos não acabou. A luta continua, desta vez não apenas contra o fogo, mas contra aqueles que insistem em colocar a vida das pessoas e a riqueza ambiental em risco.




