Paes lança sistema de segurança inspirado em Nova York e aposta em dados, tecnologia e guarda armada para mudar o Rio
Decreto cria nova estrutura integrada com Guarda Municipal, CIVITAS e Secretaria de Ordem Pública; CompStat Municipal será usado para orientar ações e monitorar resultados
O Rio de Janeiro oficializou uma das mudanças mais ousadas de sua história recente na área de segurança pública. O prefeito Eduardo Paes (PSD) assinou decreto que institui o Sistema de Segurança Pública Municipal, inspirado no modelo nova-iorquino que alia dados, tecnologia e integração entre diferentes forças. A nova estrutura reúne a Guarda Municipal — que passa a contar com uma divisão de elite armada —, a Secretaria de Ordem Pública e a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Apoio à Segurança (CIVITAS), que será ampliada com milhares de câmeras inteligentes até 2028.
O coração do projeto é o CompStat Municipal, uma versão adaptada do método de gestão da Polícia de Nova York, baseado no uso intensivo de estatísticas criminais, análise territorial e metas para as equipes. As reuniões periódicas de monitoramento servirão para medir resultados, corrigir falhas e cobrar desempenho de cada setor envolvido.
Na prática, a prefeitura pretende construir uma rede de prevenção e resposta rápida, capaz de reduzir furtos, roubos e delitos de rua. A divisão armada da Guarda Municipal terá seleção rigorosa, com treinamento específico e remuneração diferenciada, chegando a R$ 13 mil. O efetivo previsto é de 4.500 agentes até 2028, que atuarão em áreas estratégicas com apoio de GPS, câmeras corporais e ordens de serviço digitais.
A expansão da CIVITAS, por sua vez, promete modernizar o monitoramento da cidade com 20 mil câmeras inteligentes integradas a radares e bases de dados, permitindo rastrear veículos clonados ou roubados, mapear “manchas criminais” e apoiar operações em tempo real. O projeto também prevê a integração de informações da iniciativa privada e o fortalecimento de canais de denúncia da população.
Embora o plano tenha potencial para transformar a presença do poder público nas ruas e trazer resultados concretos, enfrenta questionamentos jurídicos e orçamentários. Entidades nacionais de guardas municipais afirmam que a Constituição limita a atuação de municípios em segurança armada, enquanto especialistas apontam o alto custo do projeto, que deve consumir centenas de milhões de reais até 2028. Ainda assim, Paes defende que o município não pode se omitir diante da violência e que a população cobra soluções mais eficazes.
A iniciativa simboliza a tentativa do Rio de se alinhar a práticas modernas de gestão e vigilância urbana, apostando em tecnologia e disciplina institucional. O sucesso ou fracasso desse modelo, no entanto, dependerá da execução: treinamento, fiscalização, sustentabilidade financeira e transparência na aplicação dos recursos.
Fonte
Reportagem inspirada em matéria de Lucas Mathias, Veja, 22 de setembro de 2025, e complementada com dados de veículos como O Globo, Extra e O Dia.




