Projeto Iguaçu: Retomada das obras de macrodrenagem promete novo fôlego no combate às enchentes da Baixada
Após anos de cobranças e denúncias, o MPRJ prevê para janeiro de 2026 a retomada do Projeto Iguaçu, considerado essencial para reduzir os impactos das chuvas em Nova Iguaçu e cidades vizinhas.
O anúncio da retomada do Projeto Iguaçu, previsto para janeiro de 2026 segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), reacende uma luta antiga da sociedade civil organizada contra as enchentes que castigam a Baixada Fluminense.
Desde 2008, representantes do controle social acompanham de perto cada etapa das discussões, obras e ações ligadas ao projeto, fiscalizando e denunciando desvios de rota na execução. Entre os municípios diretamente afetados estão Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias, Mesquita, São João de Meriti e Nilópolis, regiões historicamente vulneráveis às fortes chuvas.
De acordo com o ex-presidente dos Comitês Locais de Acompanhamento (CAOs), Adriano Naval, que esteve à frente desse processo ao lado de representantes como Alcy Maihone e Rogério, do Lote XV, a cobrança sempre foi no sentido de que os gestores públicos respeitassem o planejamento técnico original, elaborado pela Coppe/UFRJ. Esse mesmo grupo de engenheiros foi responsável, ainda nos anos 1980 e 1990, pelos projetos Reconstrução Rio e PDBG (Projeto de Despoluição da Baía da Guanabara).
“O que sempre cobramos e denunciamos é simples: sigam o protocolo técnico criado pelos especialistas. Em vez disso, vemos milhões sendo gastos em obras paliativas que não resolvem nada. Estamos sendo ignorados e abafados, mas a verdade não ficará escondida para sempre”, afirma Naval.
A preocupação cresce diante dos efeitos já previstos das mudanças climáticas. Segundo ele, omissões e atrasos podem agravar ainda mais cenários que já são críticos. “Estão brincando com coisa séria, omitindo informações e arriscando a vida de milhares de famílias da Baixada.”
O Projeto Iguaçu, se devidamente retomado e seguido em sua concepção original, pode representar um marco para a região: um caminho mais seguro frente às enchentes que, há décadas, ceifam vidas, destroem patrimônios e interrompem a rotina das cidades.




