Em operação realizada nesta segunda-feira (29), as polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro prenderam 22 pessoas na Zona Sudoeste da capital, incluindo uma mulher do Pará apontada como elo entre facções nos dois estados. A ação teve como objetivo conter o avanço do Comando Vermelho (CV) na região.
Autoridades informam que criminosos de outras regiões do país já não migram ao Rio apenas para se esconder — muitos vêm para atuar, aprender a técnica de expansão de territórios e articular operações interestaduais. “As comunidades viraram um verdadeiro ‘home office’ da criminalidade”, afirmou o secretário estadual de Segurança Pública, delegado Victor Santos.
O delegado Gustavo Fossati, da Polícia Civil do Pará, complementou que integrantes do CV no Rio mantêm interlocuções frequentes com operadores no Pará, com atuação em homicídios, extorsão, transporte de armas e tráfico de drogas. “Eles ficam no trânsito Rio-Pará com grande frequência”, disse.
Segundo as investigações, o planejamento da facção no Rio recebe diretrizes de lideranças fora do estado. Um dos nomes citados é Francisco Glauber Costa de Oliveira (GL), preso desde março de 2023, mas ainda ativo em grupos de mensagens onde emitia ordens.
Durante a operação, que contou com apoio do Ministério Público do Rio (MPRJ) e da Polícia Civil do Pará, foram cumpridos mandados nas comunidades da Gardênia Azul e Cidade de Deus. Entre os bens apreendidos estão: um revólver, quatro fuzis, sete pistolas, duas granadas, 15 rádios comunicadores, drogas, nove veículos e barricadas removidas — cerca de 10 toneladas.
Para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), a facção adotou estrutura hierárquica clara: gerentes locais, “soldados” de rua e agentes de monitoramento.




