Entre promessas e propaganda, o centro de exames na Dutra virou sinônimo de filas, descaso e favorecimento político — uma estrutura cara que não atende quem mais precisa.
Inaugurado com pompa, discursos ensaiados e flashes de campanha, o Imagem Baixada foi vendido como um marco da saúde pública fluminense. Prometia revolucionar o acesso a exames de imagem na Baixada Fluminense, mas, passados os holofotes da inauguração, o que restou foi uma realidade bem menos fotogênica.
O número de “mais de 2 milhões de exames realizados”, tão exaltado nos comunicados oficiais, esconde o que os pacientes sentem na pele: esperas intermináveis, estrutura precária e a falta de profissionais suficientes para atender a uma demanda que ultrapassa fronteiras municipais — afinal, o centro “regional” hoje tenta abraçar todo o estado do Rio.
Quem depende do sistema sabe: o Imagem Baixada é um retrato nítido do improviso público. Localizado às margens da Dutra, o centro exige duas ou até três conduções para quem sai de bairros de Nova Iguaçu, Nilópolis ou Queimados. Sem integração de transporte e com acessibilidade duvidosa, o deslocamento é um capítulo à parte da via-crúcis dos pacientes.
Enquanto isso, nos bastidores, o projeto virou um verdadeiro cabide de empregos. “Tem dono”, dizem políticos da região — um investimento que parece servir mais à rede de aliados e amigos de um certo doutor da Baixada e do próprio governo estadual do que à população que deveria ser prioridade.
Ironia das ironias: o centro de imagem se tornou a imagem da precariedade. Desde a inauguração, faltam técnicos, sobram indicações políticas, e os pacientes, como sempre, são os que ficam em segundo plano. Uma obra que nasceu para ser símbolo de eficiência pública acabou revelando o que muitos já sabiam — na saúde da Baixada, o que menos funciona é a gestão.




