Sul e Sudeste ficam fora das 20 piores cidades do Brasil: ranking escancara abismo regional
Índice de Progresso Social mostra que municípios com pior qualidade de vida estão concentrados no Norte e parte do Centro-Norte; desigualdade histórica volta ao centro do debate
O novo levantamento do Índice de Progresso Social (IPS) — metodologia internacional criada pelo professor Michael Porter, da Universidade de Harvard — trouxe um dado que chama atenção: nenhuma cidade das regiões Sul ou Sudeste aparece entre as 20 piores do país em qualidade de vida.
A lista é dominada por municípios do Norte e da Amazônia Legal. Estados como Pará e Roraima concentram a maioria das cidades com as notas mais baixas do Brasil, refletindo dificuldades históricas em saneamento básico, acesso à saúde, educação, moradia adequada e segurança.
Entre as cidades com pior desempenho estão Uiramutã e Alto Alegre (RR), além de diversos municípios do interior do Pará, como Trairão, Bannach, Jacareacanga, Cumaru do Norte, Pacajá, Uruará, Portel e Anapu. Também aparecem cidades do Amapá, Amazonas, Acre, Maranhão e Mato Grosso.
O que o mapa revela
O IPS não mede PIB. Ele analisa resultados concretos na vida das pessoas: água tratada, esgoto, atendimento médico, oportunidades educacionais, segurança e inclusão social. Quando esses pilares falham, a nota despenca.
O fato de Sul e Sudeste não figurarem entre as 20 piores não significa ausência de problemas nessas regiões. Há desigualdade, violência urbana e bolsões de pobreza. Mas, de forma geral, os municípios dessas áreas apresentam melhor estrutura de serviços públicos e maior cobertura de políticas sociais.
Um Brasil dividido
O ranking reforça um retrato conhecido, mas ainda incômodo: o Brasil continua profundamente desigual em seu desenvolvimento regional. Enquanto parte do país avança em infraestrutura e qualidade de vida, outra parte ainda enfrenta desafios básicos, como acesso à água potável e atendimento de saúde regular.
Mais do que uma lista, o IPS funciona como um alerta. Ele mostra onde estão as maiores fragilidades estruturais e aponta que o debate sobre desenvolvimento precisa ir além do crescimento econômico.
O mapa da qualidade de vida no Brasil não é apenas geográfico — ele é social, político e histórico.




