Paes abre caminho para a Baixada no BRT Transbrasil: nova linha liga Mesquita ao Terminal Pedro Fernandes e aproxima trabalhadores do Centro
Mesmo com impasse institucional no primeiro dia, integração avança e cria novo corredor de mobilidade entre a Baixada Fluminense e a Zona Norte do Rio
Começou a rodar nesta segunda-feira (16) uma iniciativa que promete mudar a rotina de milhares de passageiros da Baixada Fluminense. Entrou em operação a linha que conecta Mesquita ao Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, em Irajá, ponto estratégico da BRT Transbrasil.
A estreia, no entanto, não foi tranquila. Logo nas primeiras horas do dia, fiscais do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) rebocaram ônibus da nova linha — identificada como Linha 77 — alegando que a operação configurava transporte intermunicipal sem autorização estadual.
O argumento abriu um impasse institucional entre o governo estadual e a prefeitura do Rio. A gestão municipal, comandada por Eduardo Paes, defendia a integração como medida emergencial para garantir acesso mais rápido ao sistema BRT para moradores da Baixada que trabalham na capital.
Crise no primeiro dia, acordo no mesmo dia
A tensão durou poucas horas. Diante da pressão de passageiros e do impacto direto no deslocamento de milhares de trabalhadores, representantes do estado e do município realizaram uma reunião de emergência.
O resultado foi um acordo provisório.
Ficou definida a criação de linhas experimentais, autorizando a circulação de 15 ônibus fazendo a ligação entre Mesquita e o terminal localizado no Trevo das Margaridas — nome popular da região onde funciona o Terminal Pedro Fernandes.
Na prática, a decisão manteve viva a proposta de integração e garantiu a continuidade do serviço, ainda que em caráter de teste.
Porta de entrada para o BRT
O Terminal Pedro Fernandes, instalado no entroncamento da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra, se transformou em uma nova porta de entrada para quem vem da Baixada.
De lá, o passageiro pode acessar diretamente o corredor da BRT Transbrasil, que liga a Zona Norte ao Centro do Rio e ao Terminal Gentileza, um dos principais hubs de mobilidade da cidade.
O terminal também oferece conexão com linhas que seguem para a Pavuna e outros bairros da Zona Norte.
A estrutura inclui bicicletário com 35 vagas, áreas de circulação amplas e integração física direta com as plataformas do BRT — um modelo pensado justamente para facilitar a troca entre modais.
Impacto para a Baixada
A nova ligação não atende apenas Mesquita. A tendência é que passageiros de municípios vizinhos também utilizem o corredor como alternativa de acesso mais rápido ao sistema BRT e, consequentemente, ao Centro do Rio.
Para milhares de trabalhadores que todos os dias cruzam a Baixada Fluminense rumo à capital, cada minuto economizado no deslocamento significa mais tempo em casa — ou menos horas perdidas no trânsito da Avenida Brasil.
Um passo na integração metropolitana
Apesar do tropeço inicial e das disputas administrativas que ainda cercam o transporte intermunicipal, a experiência abre uma discussão mais ampla: a necessidade de integrar de fato o sistema de mobilidade entre o Rio e a Baixada.
A iniciativa impulsionada pela prefeitura mostra que o caminho passa por conexões diretas com os grandes corredores de transporte de massa.
E, se a experiência der certo, a ligação inaugurada nesta segunda-feira pode ser apenas o primeiro passo de uma integração maior entre a capital e os municípios vizinhos — um tema que, há anos, espera sair do discurso e finalmente entrar em circulação.




