Entre inaugurações estratégicas e pressão no funcionalismo, gestores municipais transformam o “canteiro de obras” em palanque eleitoral antecipado.
BAIXADA FLUMINENSE – A pouco mais de seis meses das eleições estaduais e federais, o cenário político na Baixada Fluminense entrou em ebulição nesta quinta-feira (19). O que se vê nas principais cidades da região, como Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Belford Roxo, é uma corrida frenética contra o relógio eleitoral.
Prefeitos eleitos em 2024, agora consolidados em seus cargos, intensificaram o uso da estrutura administrativa para pavimentar o caminho de seus aliados à Assembleia Legislativa (Alerj) e à Câmara Federal.
As estratégias no limite da lei
A tática é clara: vincular a imagem de deputados da base governista a obras de recapeamento, reformas de postos de saúde e eventos culturais financiados com dinheiro público. Em Caxias, a gestão de Netinho Reis tem focado em “vistorias técnicas” que, na prática, contam com a presença constante de pré-candidatos ao lado do prefeito, explorando as redes sociais oficiais da prefeitura.
Pressão nos bastidores
As denúncias de abuso de poder político não param no asfalto. Relatos de servidores comissionados em São João de Meriti e Mesquita sugerem uma “convocação silenciosa” para eventos de pré-campanha sob o disfarce de reuniões de gestão. Quem não comparece ou não compartilha as ações dos candidatos “da casa” nas redes sociais pessoais, relata temor de retaliação ou exoneração.
O olhar do Ministério Público
O Ministério Público Eleitoral (MPE) já sinalizou que está monitorando o aumento súbito de gastos com publicidade institucional e a distribuição de benefícios sociais em ano eleitoral. A linha entre a prestação de contas do município e a promoção pessoal de candidatos nunca esteve tão tênue na região, colocando em risco a lisura.



