Paes, fora da Prefeitura, banca acordo de Cavaliere com o Estado e crava: “Integração do BRT muda a lógica da Baixada”
Operação começa nesta sexta, 1º de maio, leva linhas da Baixada ao Terminal Margaridas, reorganiza empresas, amplia capacidade para até 120 mil passageiros por dia e muda o eixo da mobilidade metropolitana
A integração entre as linhas intermunicipais da Baixada Fluminense e o sistema BRT do Rio começa nesta sexta-feira, 1º de maio, com um redesenho profundo do transporte entre Nova Iguaçu, Mesquita, São João de Meriti e a capital. O acordo entre a Prefeitura do Rio, sob comando de Eduardo Cavaliere, e o Governo do Estado encerra um período de conflito e coloca em prática um modelo técnico que muda não só o trajeto, mas a lógica do sistema.
Fora do cargo, o ex-prefeito Eduardo Paes entrou no debate e resumiu o impacto da mudança com clareza
“É uma mudança de lógica. Não é só integração, é organizar o sistema para funcionar melhor para quem mais precisa.”
“Agora a Baixada entra de vez no mapa do BRT. É mais rapidez, mais organização e mais respeito com quem passa horas dentro de ônibus todos os dias.”
A fala encontra respaldo nos números e na engenharia da operação que começa a rodar.
Como funciona a operação a partir de 1º de maio
O Terminal Metropolitano Pedro Fernandes, o Margaridas, em Irajá, passa a ser o principal ponto de conexão entre a Baixada e o sistema BRT. É ali que as linhas intermunicipais passam a alimentar o corredor de alta capacidade.
Primeira fase
Nova Iguaçu
113B Nova Iguaçu x Castelo
114B Nova Iguaçu x Castelo
118B Nova Iguaçu x Central
479I Nova Iguaçu x Penha
São João de Meriti
474B Meriti x Castelo
512B Meriti x Central
514B Meriti x Praça XV
Segunda fase, a partir de 16 de maio
490B Nova Iguaçu x Central
491B Nova Iguaçu x Central
494B Nova Iguaçu x Castelo
497B Nova Iguaçu x Central
499B Nova Iguaçu x Castelo
442B Nova Iguaçu x Ilha do Governador
Essas linhas passam a operar em modelo híbrido
Parte das viagens segue direta
Parte termina no Terminal Margaridas, exigindo integração com o BRT
Intervalos médios
Ônibus intermunicipais entre 15 e 20 minutos
BRT com cerca de 3 minutos nos horários de pico
Capacidade e demanda, o dado que muda o jogo
Hoje, o sistema intermunicipal da Baixada movimenta entre 120 mil e 150 mil passageiros por dia, com forte concentração nos eixos de Nova Iguaçu, Mesquita e São João de Meriti.
Desse total
Entre 85 mil e 110 mil passageiros utilizam diretamente empresas como Tinguá, Evanil, Novanil, Reginas e Flores
Picos de demanda
Manhã entre 5h e 9h
Tarde e noite entre 17h e 20h
Com a integração, o sistema deixa de depender apenas da capacidade dos ônibus convencionais e passa a operar com base no BRT
Cada veículo do BRT transporta entre 160 e 270 passageiros
Intervalos de até 3 minutos
Capacidade superior a 10 mil passageiros por hora por sentido
Estimativa operacional do Terminal Margaridas
Primeira fase entre 80 mil e 100 mil passageiros por dia
Com expansão podendo ultrapassar 120 mil passageiros diários
Na prática, isso significa que o sistema passa a ter capacidade para absorver praticamente toda a demanda da Baixada com mais velocidade e regularidade.
Paes reforçou esse impacto
“Não dá mais para a população da Baixada perder três, quatro horas por dia no transporte. A integração é para encurtar caminho e dar qualidade de vida.”
Engenharia do sistema
O modelo adotado é o de rede tronco alimentada
As linhas intermunicipais deixam de cruzar toda a cidade
Passam a alimentar o BRT no terminal
O BRT assume o deslocamento principal dentro do Rio
Esse redesenho resolve um problema histórico
Linhas longas, lentas e sobrepostas
E gera três efeitos diretos
Redução de até 50 por cento no tempo de viagem
Maior regularidade
Menor impacto do trânsito da Avenida Brasil
Empresas e redistribuição da frota
Empresas como Tinguá, Evanil, Novanil, Reginas e Flores seguem operando, mas com mudança estratégica
Entre 30 e 50 por cento da frota passa a atuar como alimentadora
O restante segue em viagens diretas
Exemplo prático
Uma linha com 20 ônibus pode ter cerca de 10 operando até o terminal e 10 mantendo o trajeto tradicional
A tendência técnica é clara
Redução progressiva das linhas diretas
Fortalecimento da integração
A operação é regulada pelo DETRO-RJ
Como ficam os usuários
O passageiro passa a ter três cenários
Viagem direta, ainda disponível
Viagem com integração no Terminal Margaridas
Viagem híbrida, dependendo do ônibus
Na prática
Nem todo ônibus vai até o fim
Parou em Irajá, a viagem continua no BRT
Destino final reorganizado
Centro direto ou via integração
Zona Norte com acesso mais rápido
Barra e Recreio via corredores do BRT
Subúrbios com mais conexões
Tarifa e pagamento
R$ 6,70 média intermunicipal
R$ 5 integração com BRT e modais municipais
Custo médio diário
R$ 18,40 ida e volta
Cartões utilizados
RioCard no intermunicipal
Jaé na integração
Do conflito ao acordo
O projeto ficou travado por meses em meio a disputas institucionais, incluindo apreensão de ônibus no terminal. Agora, com o alinhamento entre a gestão de Eduardo Cavaliere e o Governo do Estado, a operação entra em fase assistida.
O tema ganhou repercussão na coluna da jornalista Berenice Seara, consolidando o peso político da integração.
Paes fechou a análise com uma síntese direta
“É mais rapidez, mais organização e mais respeito com quem depende do transporte todos os dias.”
A mudança começa agora. E, pela primeira vez em anos, o sistema da Baixada deixa de empurrar problema para frente e passa a tentar resolver na estrutura.



