Programa Emprego Apoiado aproxima alunos da EJA do mercado de trabalho e mostra que deficiência não é limite para construir uma carreira
Nova Iguaçu está mostrando que inclusão de verdade não termina quando o aluno deixa a sala de aula. Para dois ex-estudantes da rede municipal, a escola foi justamente o caminho para chegar ao mercado de trabalho e construir uma vida profissional com autonomia, dignidade e novas perspectivas.
Luiz Henrique da Costa Pina, de 29 anos, e Marcos de Oliveira Santos, de 30, têm histórias diferentes, mas um ponto em comum: os dois são pessoas com deficiência, estudaram na rede municipal de Nova Iguaçu e conquistaram oportunidades profissionais durante a trajetória na Educação de Jovens e Adultos, a EJA.
A porta de entrada foi o programa Emprego Apoiado, desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal de Educação de Nova Iguaçu e a empresa Granfino. A proposta é aproximar a formação educacional da realidade profissional, oferecendo aos estudantes não apenas uma vaga, mas acompanhamento individualizado para que possam ingressar e permanecer no mercado de trabalho. (Prefeitura de Nova Iguaçu)
É aí que está a diferença.
O programa não funciona simplesmente como uma indicação de emprego. O estudante manifesta interesse, a empresa disponibiliza as oportunidades e, durante o processo, recebe orientação e suporte de acordo com suas necessidades e com as características da função. Depois vêm as etapas de contratação da empresa.
A ideia é criar condições para que o trabalhador conquiste autonomia, independência e experiência profissional.
Luiz Henrique conhece bem essa transformação. Ex-aluno da Escola Municipal Amazor Vieira Borges, ele ingressou na Granfino aos 16 anos e construiu uma trajetória de 13 anos na empresa. Hoje trabalha como auxiliar de empacotamento.
Para ele, conseguir o emprego representou muito mais do que receber um salário no fim do mês. A experiência mudou sua maneira de se relacionar com as pessoas, sua comunicação e seu comportamento. (Prefeitura de Nova Iguaçu)
Marcos de Oliveira Santos também encontrou na empresa um espaço para crescer. Ex-aluno da Escola Municipal Estanislau Ribeiro do Amaral, ele trabalha há dez anos como auxiliar de serviços gerais.
São dez anos de trabalho, convivência e construção de vínculos.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior força dessa história: inclusão não é apenas colocar uma pessoa dentro da empresa. É criar condições para que ela permaneça, desenvolva suas habilidades, seja respeitada e construa relações profissionais.
A própria Secretaria Municipal de Educação reconhece que esse é um dos grandes desafios. Segundo a coordenadora da Educação Especial da rede municipal, Natalia Araujo, a escola não representa o fim da trajetória dessas pessoas. Existe uma continuidade no mundo do trabalho, e o Emprego Apoiado busca oferecer acessibilidade e suporte para que os profissionais possam exercer suas funções e permanecer empregados. (Prefeitura de Nova Iguaçu)
A experiência também vem sendo ampliada pela Granfino. De acordo com a empresa, a parceria com a rede municipal evoluiu ao longo dos anos e a tendência é continuar avançando quando os resultados aparecem.
E os resultados aparecem justamente nas histórias de Luiz e Marcos.
Em uma região onde tantas famílias ainda enfrentam dificuldades para inserir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, iniciativas como essa mostram que o caminho pode começar dentro da própria escola.
Não se trata de favor. Não se trata de caridade.
Trata-se de oportunidade.
Trata-se de reconhecer capacidade, oferecer suporte e permitir que cada pessoa construa sua própria trajetória.
Luiz Henrique resume essa transformação ao falar da experiência que conquistou. Ele não quer apenas comemorar a própria vitória. Quer que outras pessoas também acreditem que podem chegar lá.
É uma mensagem simples, mas poderosa: não desistir, procurar oportunidades e acreditar na própria capacidade.
Em Nova Iguaçu, duas histórias mostram que a inclusão pode sair do discurso e entrar na rotina.
Da sala de aula para a empresa.
Do aprendizado para a profissão.
Da oportunidade para a autonomia.
E quando a escola consegue abrir essa porta, quem ganha não é apenas o aluno.
Ganha a família, ganha a empresa, ganha a cidade e ganha toda a sociedade.
Porque inclusão de verdade acontece quando a pessoa deixa de ser vista apenas pela sua deficiência e passa a ser reconhecida pelo que pode fazer.



