A eleição de 2026 começa a entrar numa fase decisiva antes mesmo de a campanha ganhar as ruas. No Rio de Janeiro, a Justiça Eleitoral virou palco de uma disputa silenciosa que pode mexer profundamente no cenário político: candidaturas questionadas, pedidos de impugnação, defesas apresentadas e processos que avançam enquanto os partidos se movimentam para garantir seus nomes na urna.
É a fase da guilhotina.
Não significa que todo candidato que responde a um processo esteja fora da eleição. Longe disso. Mas o momento exige atenção porque alguns registros enfrentam questionamentos que podem resultar em decisões capazes de alterar o rumo da disputa.
Nos bastidores, Ministério Público Eleitoral, partidos, adversários e candidatos travam uma batalha jurídica que, em muitos casos, pode ser tão importante quanto a própria campanha eleitoral.
O eleitor está acostumado a acompanhar pesquisa, propaganda, alianças e promessas. Só que, desta vez, existe uma etapa anterior: saber quem conseguirá atravessar inteiro a peneira da Justiça Eleitoral.
E a diferença entre uma candidatura apenas questionada e uma candidatura efetivamente impedida de disputar é enorme.
Há registros aguardando julgamento, pedidos de impugnação ainda em análise, candidatos apresentando documentos e defesas e decisões que podem ser levadas às instâncias superiores. Em outras palavras, o jogo ainda está aberto — mas a lâmina já está levantada.
O cenário também revela uma velha característica da política brasileira: quanto mais importante é o nome, maior tende a ser a disputa em torno dele. Uma candidatura forte pode incomodar adversários, provocar questionamentos e transformar uma batalha jurídica em um capítulo importante da eleição.
Por isso, a informação precisa ser tratada com cuidado. Ter processo não significa ser culpado. Ter uma impugnação não significa estar fora. E estar com o registro aguardando julgamento não significa, por si só, enfrentar uma irregularidade.
Mas também seria ingenuidade ignorar o que está acontecendo.
A Justiça Eleitoral está analisando os registros enquanto os partidos já trabalham com seus planos de campanha. Cada decisão pode produzir efeito político, alterar alianças, mudar estratégias e até abrir espaço para candidatos que hoje aparecem em segundo plano.
É nesse ambiente que a eleição começa a ser desenhada.
Antes da urna eletrônica, existe a urna jurídica. Antes do número aparecer na tela, existe o registro. E antes da campanha pedir o voto, existe uma pergunta que precisa ser respondida:
quem estará, de fato, autorizado a disputar?
A guilhotina está armada. A lâmina ainda não caiu para todos. Mas, no Rio, ninguém que esteja com a candidatura sob questionamento pode dizer que não ouviu o barulho.




