Nova Iguaçu começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, a construir um plano que poderá mexer diretamente com a forma como a cidade enfrenta enchentes, desastres, calor extremo e outros impactos provocados pelas mudanças do clima. A primeira oficina participativa para elaboração do Plano Local de Ação Climática acontece a partir das 14h, no auditório do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu, no bairro da Luz.
O assunto parece distante para quem acompanha apenas a política do dia a dia, mas o plano coloca sobre a mesa problemas que já fazem parte da rotina de milhares de moradores. Chuva forte, alagamentos, áreas vulneráveis, pressão sobre a infraestrutura urbana, calor excessivo e riscos ambientais entram agora em uma discussão que pretende produzir um diagnóstico específico da realidade de Nova Iguaçu.
A oficina desta sexta-feira é justamente o primeiro passo. A Prefeitura informa que moradores, representantes do poder público e integrantes da sociedade civil participarão das discussões para identificar vulnerabilidades, desafios e prioridades do município. O resultado será incorporado ao diagnóstico climático que servirá de base para uma segunda oficina, prevista para novembro.
A conclusão do Plano Local de Ação Climática está prevista para 2027.
A iniciativa faz parte do Programa Ambiente Resiliente, desenvolvido pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade em parceria com a ONU-Habitat. Em março, Nova Iguaçu firmou um termo de compromisso com o Governo do Estado dentro do projeto Rio Inclusivo e Sustentável e criou um grupo de trabalho envolvendo áreas como Meio Ambiente, Agricultura, Saúde, Educação e Defesa Civil, além de representantes da sociedade civil.
E é justamente aí que a discussão fica mais interessante.
Um plano climático não se resume a plantar árvores ou falar sobre aquecimento global. Ele precisa olhar para a cidade real: onde a água acumula, quais regiões apresentam maior vulnerabilidade, quais áreas precisam de prevenção, como a Defesa Civil atua, como a infraestrutura responde às chuvas e de que maneira saúde, educação, urbanismo e meio ambiente trabalham juntos diante de eventos extremos.
Nova Iguaçu tem uma característica que torna esse planejamento ainda mais importante: é um município extenso, com áreas urbanas densamente ocupadas e regiões próximas a rios, encostas e áreas ambientalmente sensíveis. Por isso, o diagnóstico que começa a ser construído agora terá que sair do papel e chegar aos bairros.
A Prefeitura prevê uma segunda etapa participativa em novembro, quando serão discutidas estratégias e prioridades. Depois, o plano seguirá até sua conclusão, prevista para 2027.
O desafio, portanto, não termina na oficina desta sexta-feira. Ela apenas abre uma discussão que poderá definir prioridades de investimentos e políticas públicas para os próximos anos.
E a pergunta que fica para Nova Iguaçu é simples: quando a próxima grande chuva chegar, a cidade estará mais preparada ou o plano ficará apenas bonito no papel?
Por Jornalista Arinos Monge
Fontes: Prefeitura de Nova Iguaçu; Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente; Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade; ONU-Habitat.



