TERREMOTO NO TRE-RJ: LISTA DE ADILSINHO ENVOLVE MAIS DE 60 POLÍTICOS E AGENTES PÚBLICOS E PÕE MAIS DE 350 CANDIDATOS NO RADAR
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro termina esta sexta-feira (28) sob forte pressão. Enquanto a campanha eleitoral começa oficialmente no rádio e na televisão, processos de impugnação avançam, relatórios de inteligência chegam aos autos, documentos financeiros são cruzados e uma lista apreendida pela Polícia Federal em investigação contra o contraventor Adilsinho volta a provocar preocupação no ambiente político.
A lista reúne mais de 60 políticos e agentes públicos e movimentações que chegam a aproximadamente R$ 29,3 milhões. Os documentos estão sendo analisados pela Polícia Federal e fazem parte de uma investigação que procura reconstruir o caminho do dinheiro e identificar possíveis relações entre recursos, empresas, campanhas eleitorais e agentes políticos.
O outro número que chama atenção está nas empresas gráficas colocadas sob investigação. Levantamentos eleitorais identificaram mais de 350 candidatos que contrataram empresas desse grupo em diferentes eleições. A presença desses candidatos entre os clientes não significa, por si só, envolvimento em irregularidades. O que a investigação procura esclarecer é se as empresas funcionaram regularmente ou se alguma estrutura foi utilizada para movimentar recursos de origem ilícita.
O cruzamento envolve prestações de contas, notas fiscais, empresas fornecedoras, movimentações financeiras e informações encontradas nas planilhas.
É justamente nesse ponto que o TRE-RJ ganha importância.
A Justiça Eleitoral enfrenta uma eleição marcada por uma sucessão de questionamentos envolvendo condições de elegibilidade, vida pregressa, concentração de votos, informações de inteligência e possíveis conexões entre atividade política e estruturas criminosas.
Em um dos processos mais delicados, o TRE-RJ marcou audiência de instrução para 2 de setembro e determinou manifestação da defesa sobre o Relatório de Inteligência nº 15/2026, anexado ao processo pela Procuradoria Regional Eleitoral.
O documento entrou formalmente nos autos e será analisado juntamente com os demais elementos de prova. Testemunhas também serão ouvidas presencialmente no plenário do tribunal.
O Ministério Público Eleitoral apresentou dados de votação considerados extremamente atípicos em determinados locais e sustenta que esses padrões precisam ser examinados diante de informações sobre a atuação de grupos criminosos em áreas específicas.
O TRE-RJ ainda não transformou essas alegações em decisão definitiva.
Mas os processos avançam.
E avançam contra o relógio do calendário eleitoral.
Enquanto candidatos ocupam rádio e televisão para pedir votos, a Justiça Eleitoral decide quem terá condições jurídicas de permanecer na disputa.
A lista atribuída a Adilsinho acrescenta outra camada de tensão. São mais de 60 políticos e agentes públicos relacionados nas anotações investigadas e centenas de candidatos que, em diferentes eleições, contrataram empresas que agora estão sob escrutínio.
A Polícia Federal ainda precisa estabelecer quais movimentações efetivamente ocorreram, qual era a origem dos recursos e qual era a finalidade de cada operação.
Essa distinção é fundamental.
Estar citado em uma planilha não significa receber dinheiro ilícito.
Contratar uma gráfica investigada também não significa participar de organização criminosa.
Mas o tamanho do cruzamento explica por que o caso ganhou dimensão política.
São milhões de reais, dezenas de agentes públicos, centenas de campanhas e empresas utilizadas durante diferentes ciclos eleitorais.
No centro desse emaranhado está o TRE-RJ, que precisa analisar registros de candidatura enquanto novas informações chegam aos processos.
A campanha começou.
A propaganda começou.
Mas, dentro do tribunal, a eleição está sendo examinada por outro ângulo: documentos, inteligência, dinheiro e padrões de votação.
E o que hoje aparece como investigação pode se transformar em decisões eleitorais capazes de alterar o mapa político do Rio.
Por Jornalista Arinos Monge
Fontes: Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ); Ministério Público Eleitoral; Ministério Público Federal; Polícia Federal; Tribunal Superior Eleitoral; UOL/Tab; Folha de S.Paulo; BandNews FM.



