A História do Deputado Ramagem: De Golpista a ‘Consultor Internacional’
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e atual deputado federal pelo Rio de Janeiro, é uma figura que parece ter saído diretamente de um roteiro de filme de espionagem. Condenado em setembro de 2025 por sua participação na tentativa de golpe de Estado de 2022, Ramagem não se contentou em ser apenas um personagem secundário na trama política brasileira. Ele decidiu, audaciosamente, atuar como o “consultor internacional” do país, articulando uma lei que facilitaria a intervenção dos Estados Unidos no Brasil.
O projeto de lei 1283/2025, aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados em agosto de 2025, foi relatado por Ramagem, que, na época, já era réu no processo da tentativa de golpe. A proposta, de autoria do deputado Danilo Forte (União-CE), visava enquadrar grupos como “terroristas”, alinhando-se à legislação dos Estados Unidos, que possui uma definição mais ampla de terrorismo, permitindo classificar como tal grupos ligados ao tráfico internacional de drogas. Ramagem, em seu parecer, elogiou a legislação americana, destacando que os EUA são líderes em atrair investimentos estrangeiros há mais de 12 anos consecutivos.
O timing da articulação não poderia ser mais irônico. Enquanto a comissão da Câmara aprovava o projeto, o presidente dos Estados Unidos ordenava o envio de caças e navios de guerra ao litoral da América do Sul e Caribe, supostamente para combater o narcotráfico e organizações criminosas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, afirmou que terrorismo e crime organizado são problemas distintos e não devem servir de desculpa para intervenções à margem do direito internacional.
Após a aprovação na comissão, o projeto passou a ser relatado por Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado alinhado à extrema direita, mantendo a proposta sob influência do bolsonarismo. Ramagem, por sua vez, negou que a proposta ameaçasse a soberania brasileira, defendendo que equiparar como terrorismo atos praticados por organizações criminosas que causem pânico à população seria uma medida necessária e coerente.
Em resumo, Alexandre Ramagem, condenado por tentativa de golpe, não se contentou em ser apenas um protagonista nacional. Ele almejou um papel internacional, tentando transformar o Brasil em palco de uma intervenção externa, tudo isso sob a fachada de combater o terrorismo. Se houvesse um prêmio para “Consultor Internacional do Ano”, Ramagem certamente seria um forte candidato.




