R$ 997 MILHÕES NA DUTRA: PREFEITURA AUMENTA A PRESSÃO SOBRE A ECOVIAS RIO MINAS EM NOVA IGUAÇU — ENCHENTES CONTINUAM, A OBRA JÁ PASSOU DA HORA E A PERGUNTA É: QUAL É O PROBLEMA?
Reunião da ANTT nesta quarta-feira coloca concessionária, município e população diante das cobranças por drenagem, acessos, desapropriações e conclusão das intervenções em uma cidade com 843 mil habitantes
Quase R$ 1 bilhão em investimentos, 70% de execução física anunciada e uma pergunta que continua sem resposta definitiva em Nova Iguaçu: o que ainda está impedindo a conclusão das obras da Dutra e, principalmente, a solução dos problemas que aparecem toda vez que a chuva aperta?
A cobrança ganha força nesta quarta-feira, 30 de setembro, quando a ANTT realiza em Nova Iguaçu uma reunião participativa para discutir o contrato da Ecovias Rio Minas e possíveis alterações na concessão. O encontro será a partir das 14h, no Sesc Nova Iguaçu, em Moquetá, às margens da rodovia. A agência informou que receberá manifestações sobre necessidades e intervenções relacionadas ao contrato.
E a Prefeitura chega a essa reunião com uma cobrança que já ultrapassou o discurso.
O município afirma que vem questionando a Ecovias desde 2024 sobre a necessidade de adequar a drenagem da Dutra ao crescimento de Nova Iguaçu. Em setembro de 2025, segundo a Prefeitura, ficou estabelecido prazo de 90 dias para apresentação de projetos técnicos de ampliação da rede de drenagem. O município afirma que o prazo terminou sem a entrega esperada. Depois de novas cobranças, a Prefeitura diz ter recorrido à Justiça e também acionado o Ibama.
Em setembro deste ano, técnicos municipais identificaram, segundo a Prefeitura, danos em tubulações da rede de drenagem durante as obras da rodovia, no Rancho Novo. O município informou que alguns trechos receberam adaptações em vez da substituição das tubulações e levou o caso ao órgão ambiental.
A situação ganha ainda mais peso porque setembro foi marcado por chuva forte. A Prefeitura informou que a cidade acumulou mais de 300 milímetros de chuva em cerca de 20 dias e precisou intensificar serviços de recuperação das ruas. (Prefeitura de Nova Iguaçu)
Nova Iguaçu tem hoje população estimada em 843.367 habitantes, segundo o IBGE. A Dutra atravessa aproximadamente 15 quilômetros do município e margeia 16 bairros. Não se trata, portanto, de uma rodovia distante da população: ela está inserida no meio de uma cidade que cresceu, se verticalizou e aumentou sua circulação de veículos e pessoas.
O Ministério dos Transportes informou que as obras de ampliação e modernização da Dutra no trecho fluminense somam R$ 997 milhões, abrangendo oito municípios, e que a execução chegou a 70%. O valor não é exclusivo de Nova Iguaçu.
É justamente aí que aparece a cobrança.
Quanto desse investimento já foi efetivamente aplicado dentro de Nova Iguaçu? Quanto foi destinado à drenagem? Quanto já foi gasto com desapropriações? Quanto ainda falta para acessos, marginais, faixas adicionais e demais intervenções?
Os documentos da ANTT mostram que a questão das desapropriações continua fazendo parte do processo. Em 2025, a agência autorizou procedimentos envolvendo áreas de Nova Iguaçu para intervenções da concessão, inclusive uma área relacionada a dispositivo de drenagem.
Para o morador, porém, não interessa apenas o número do quilômetro.
Interessa saber se a obra vai melhorar ou piorar o acesso ao bairro, se a água continuará represando, se haverá novas áreas de alagamento, se as redes de drenagem serão preservadas e quando a intervenção estará realmente terminada.
Também é preciso colocar a Prefeitura dentro dessa conta.
A concessionária tem suas obrigações contratuais. A ANTT tem o dever de fiscalizar e acompanhar a concessão. E o município tem responsabilidades próprias sobre drenagem urbana, redes municipais, planejamento e ocupação do solo.
Por isso, a reunião desta quarta-feira precisa deixar claro quem tem de fazer o quê, quais etapas estão concluídas, quais estão pendentes e quais têm prazo definido.
A Prefeitura já mostrou que pretende pressionar. A Ecovias precisa responder às cobranças. E a ANTT precisa transformar as manifestações da população e do município em acompanhamento efetivo do contrato.
Porque não basta anunciar 70% de execução quando ainda existem problemas concretos nos bairros.
E também não basta dizer que a cidade está cobrando. É preciso apresentar o que foi cobrado, qual foi a resposta e qual solução será executada.
Há ainda uma informação que precisa ser atualizada e divulgada: quantos carros, ônibus, caminhões e carretas passam diariamente pelos aproximadamente 15 quilômetros da Dutra em Nova Iguaçu? Quantos entram na cidade, quantos saem e quantos apenas atravessam o município?
Hoje não há, nas fontes oficiais localizadas, uma contagem consolidada e atualizada que faça essa separação. Mas o tamanho do movimento já dá uma ideia da importância do corredor.
A Dutra não pode ser analisada somente como pista. Ela está dentro de uma cidade de 843 mil habitantes.
E é por isso que a reunião da ANTT desta quarta-feira pode representar mais uma pressão sobre a execução do trecho.
R$ 997 milhões já foram anunciados para o pacote fluminense. A execução física chegou a 70%. A Prefeitura está cobrando soluções para a drenagem. As chuvas continuam testando a infraestrutura. E Nova Iguaçu continua esperando a resposta mais simples de todas:
Quando essa obra termina e quando a população finalmente vai sentir que a agonia acabou?
FONTES:
ANTT
Ministério dos Transportes
IBGE
Prefeitura de Nova Iguaçu
DOCUMENTOS:
Contrato de Concessão — Edital nº 01/2022
Reunião Participativa nº 001/2026 da ANTT
Decisões da SUROD/ANTT sobre desapropriações em Nova Iguaçu
Informações oficiais sobre os R$ 997 milhões e 70% de execução
Documentos e manifestações da Prefeitura de Nova Iguaçu sobre drenagem e obras da Dutra
Por Jornalista Arinos Monge



