Operação bloqueou equipamentos de comunicação em uma unidade prisional; balanço anterior aponta 228 celulares apreendidos em 31 unidades do estado. Na Avenida Brasil, roubos de cargas cresceram 23,3%, apesar da queda registrada no conjunto do Rio.
Uma operação no sistema penitenciário do Rio de Janeiro bloqueou 143 dispositivos de comunicação encontrados em uma única unidade prisional. A ação ocorreu entre a noite de 14 de outubro e a manhã do dia 15, quando os equipamentos tiveram o acesso às redes móveis bloqueado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A medida faz parte da Operação Modo Avião, criada para combater o uso ilegal de dispositivos de comunicação dentro das cadeias. A nova estratégia permite bloquear os equipamentos identificados sem que seja necessário retirá-los fisicamente da unidade prisional.
O governo, no entanto, não informou o nome do presídio onde ocorreu a operação nem detalhou quantos dos 143 dispositivos eram celulares. Também não divulgou o número total de aparelhos que continuam em funcionamento ilegal nas unidades prisionais do estado.
O resultado se soma a operações anteriores que, segundo informações da Secretaria Nacional de Políticas Penais, levaram à apreensão de 228 celulares em 31 unidades prisionais fluminenses. As ações incluíram revistas em 299 celas e mobilizaram 1.019 policiais penais federais e estaduais.
O bloqueio e a apreensão são medidas diferentes. Enquanto a apreensão retira o aparelho de circulação dentro da cadeia, o bloqueio impede que o dispositivo identificado utilize as redes móveis. Ainda assim, os números divulgados não permitem saber quantos celulares permanecem escondidos nos presídios ou quantos equipamentos foram bloqueados em todo o sistema penitenciário.
A pergunta que fica é quantos aparelhos ilegais ainda estão nas mãos de presos e se o governo pretende divulgar um balanço completo por unidade prisional.
Roubo de cargas dispara na Avenida Brasil
Fora dos presídios, outro desafio continua nas principais vias de circulação de mercadorias do Rio. Dados apresentados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que os registros mensais de roubo de cargas no estado caíram de 397 ocorrências, em março de 2026, para 130, em agosto. A redução foi de 67,3% no período.
Na Avenida Brasil, porém, o cenário é diferente. Na comparação entre janeiro e agosto de 2026 e os mesmos meses de 2025, os roubos de cargas cresceram 23,3%. Os roubos de veículos na mesma via também registraram alta de 8,9%.
Os números mostram que a queda estadual não se repetiu em todos os corredores de transporte. A Avenida Brasil é uma das principais rotas de circulação de mercadorias na capital e concentra deslocamentos importantes para a distribuição de produtos.
Para enfrentar os crimes, o governo iniciou, em 6 de outubro, a Operação Corredores Logísticos, com 327 profissionais e 121 viaturas. A iniciativa reúne forças de segurança para atuar contra roubos de cargas, roubos de veículos e atividades de grupos criminosos nas rotas utilizadas pelo transporte de mercadorias.
Até o momento, os dados divulgados não apresentam um balanço que permita medir o resultado da operação desde seu início. Também não detalham em quais trechos e horários da Avenida Brasil os roubos de cargas se concentram.
Os dois assuntos colocam em evidência desafios diferentes para a segurança pública fluminense: impedir comunicações ilegais dentro dos presídios e reduzir os crimes que atingem motoristas, transportadoras e comerciantes nas ruas e estradas do estado.
Fontes: Ministério da Justiça e Segurança Pública; Secretaria Nacional de Políticas Penais; Agência Nacional de Telecomunicações.
Por Jornalista Arinos Monge



