As diretrizes para o setor de abastecimento: O futuro da política de estoques de alimentos em debate
Nesta quinta-feira, 15 de outubro de 2026, as propostas de governo para a segurança alimentar centralizam as discussões econômicas do segundo turno. O plano de governo registrado por Flávio Bolsonaro (PL) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, propõe uma reformulação estrutural no setor. A plataforma foca na desregulamentação do mercado e no fortalecimento das exportações do agronegócio, eliminando a intervenção direta do Estado na estocagem de produtos agrícolas.
A principal diretriz da proposta prevê o encerramento definitivo das atividades de compra e armazenamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A coordenação da campanha defende que o orçamento público não deve ser usado para reter safras de grãos como arroz e feijão no mercado interno. Pelo modelo sugerido, o produtor nacional ganha liberdade para exportar sua produção de acordo com as cotações internacionais em dólar, sem exigências de reservas para o consumo doméstico.
Como isso afeta o seu bolso no supermercado
Na prática, a desativação dos estoques públicos altera diretamente o preço que o cidadão paga na gôndola. Hoje, quando o país enfrenta uma seca ou quebra de safra, o governo usa os armazéns públicos para despejar alimentos no comércio e forçar a queda dos preços. Sem esses estoques, o valor da cesta básica passa a flutuar apenas conforme a lei da oferta e da procura. Se o preço do grão subir no exterior, o produtor exportará mais e o consumidor local terá que pagar o valor convertido em dólar para conseguir comprar o alimento no mercado.
Esse modelo de livre concorrência difere da estratégia aplicada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que utiliza a estrutura da Conab para intervir nos momentos de alta de preços. A atual gestão realiza a compra de safras por preços subsidiados para formar estoques reguladores, liberando esses produtos no mercado interno durante crises climáticas para conter a inflação. Na ausência dessa ferramenta de controle, o custo do prato de comida fica exposto diretamente às oscilações das Bolsas de Valores globais, sem ferramentas estatais para frear os reajustes sazonais.

O financiamento da produção e o impacto no hortifrúti
Para estimular o campo, o plano de Flávio Bolsonaro prioriza a expansão do seguro rural corporativo e investimentos privados em infraestrutura de transporte e escoamento, buscando reduzir o chamado Custo Brasil. A tese defendida pela candidatura é que o fortalecimento das grandes propriedades exportadoras gera divisas externas e estabiliza a economia geral. O documento de 76 páginas, no entanto, não estipula fundos específicos ou linhas de crédito direcionadas para a agricultura familiar.
Como o pequeno produtor e a agricultura familiar respondem pela produção de cerca de 70% dos alimentos frescos consumidos internamente no Brasil, o remanejamento dos subsídios públicos impacta a oferta local de feiras e sacolões. Enquanto o modelo lulista mantém o financiamento direto a pequenas propriedades rurais para garantir o abastecimento local e programas de merenda escolar, a agenda da oposição transfere o foco para as grandes tradings de grãos. O resultado prático para o consumidor é a necessidade de gerenciar o orçamento familiar diante de um mercado de alimentos dolarizadoe sem a previsão de reajuste real do salário mínimo no piso nacional.
Fontes Oficiais e Onde Conferir:
Para consultar os documentos, dados e propostas citadas nesta reportagem, o leitor pode acessar diretamente os portais de transparência dos órgãos oficiais do Governo Federal e da Justiça Eleitoral:
- Plano de Governo Oficial de Flávio Bolsonaro (2026): Disponível na íntegra (76 páginas) para consulta pública no sistema de registro de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- Dados sobre Armazenamento e Estoques de Grãos: Relatórios técnicos de safras, preços mínimos e estoques reguladores disponíveis no portal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
- Políticas de Financiamento Agrícola e Plano Safra: Diretrizes de subsídios para o agronegócio e agricultura familiar disponíveis no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).



