
A Baixada Fluminense volta a discutir a retomada do Projeto Iguaçu, uma iniciativa fundamental para mitigar enchentes e melhorar a infraestrutura hídrica da região. Nesta quarta-feira (02/04), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) reuniu-se com representantes do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), do Instituto Rio Metrópole (IRM) e de prefeituras locais para debater os próximos passos do projeto.
O encontro abordou desafios técnicos, a necessidade de novas licitações e a implementação de mecanismos de monitoramento. O MPRJ propôs três medidas prioritárias: a publicização dos projetos em andamento, a criação de um grupo de trabalho para acompanhamento das ações e o desenvolvimento de uma plataforma digital para garantir mais transparência.
Um histórico de avanços e paralisações
Desde os anos 1990, o Projeto Iguaçu passou por sucessivas interrupções, apesar de investimentos milionários. Inicialmente idealizado para drenagem de rios, contenção de encostas e urbanização das margens fluviais, o projeto teve sua primeira grande formulação em 1996, com apoio do Banco Mundial. Em 2007, uma nova tentativa foi lançada, prevendo 25 intervenções em seis cidades da Baixada Fluminense.
Entre 2007 e 2014, foram aplicados cerca de R$ 450 milhões em obras, mas, com o passar dos anos, a falta de continuidade comprometeu os resultados. Atualmente, a estimativa de investimento para retomar o projeto é de R$ 733 milhões, com a previsão de geração de 12 mil empregos.
O impacto das chuvas e a expectativa da população
Enquanto as obras não avançam, a população segue enfrentando enchentes devastadoras. Apenas em janeiro de 2024, mais de 100 mil pessoas foram afetadas, com 27 mil desalojados e quase mil desabrigados. Dados do Observatório do Clima revelam que entre 2021 e 2022, mais de 2,2 milhões de pessoas sofreram com temporais no estado do Rio, sendo 81% na Região Metropolitana.
Além dos prejuízos humanos, os danos materiais já ultrapassam R$ 280 milhões, sendo R$ 100 milhões concentrados na Região Metropolitana. Com mais de 796 mil pessoas vivendo em áreas de risco, a urgência por soluções estruturais se torna cada vez maior.
O desafio da continuidade
A retomada do Projeto Iguaçu reacende a esperança, mas também levanta dúvidas sobre sua viabilidade a longo prazo. A população acompanha com desconfiança os anúncios, temendo que o projeto seja mais uma vez interrompido antes de gerar impactos reais.
A próxima reunião, marcada para o próximo mês, será decisiva para definir os rumos do projeto. Enquanto isso, moradores da Baixada Fluminense seguem esperando não apenas promessas, mas obras efetivas que possam, de fato, transformar a realidade da região.