Na última segunda-feira, a Prefeitura do Rio de Janeiro oficializou um decreto ampliando a área de proteção da parcela de solo em que hoje funciona o Bangu Shopping, na Zona Oeste da cidade.
O terreno em questão já tinha sido tombado em 2000, em reconhecimento à antiga Fábrica de Tecidos Bangu — que operou de 1889 a 2004 e marcou a era têxtil na região.
Agora, com a ampliação da proteção, a intenção é impedir a construção de novas edificações nas imediações do shopping. Entre as motivações está evitar que seja aplicado no local o chamado projeto “mais valerá”, que permite expansão de shoppings, supermercados e hospitais mediante pagamento à Prefeitura.
Para quem vive na chamada “cidade Iguaçuana” ou outras cidades da Baixada Fluminense, o decreto serve também como metáfora: a luta entre preservação histórica e avanço mercadológico segue firme. No caso do Bangu Shopping, o terreno virou símbolo: de fábrica que empregava milhares a centro de compras inaugurado em 2007, transformando o local, mas mantendo a lembrança de um passado que muitos temem ver perdido.
A inovação na medida é que o decreto permite construções temporárias — por até 120 dias — desde que aprovadas pelo Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural (CMPPC). Já edificações permanentes ficam barradas.
Mais do que betão e cimento, o que está em jogo é como uma cidade resguarda sua história enquanto se adapta ao presente. E, como sempre, resta saber se a memória resistirá às pressões da expansão urbana — ou se será engolida por ela.




