
Evento destaca a desconexão do prefeito com as tradições católicas e o impacto da administração sobre a diversidade religiosa e as festividades da cidade.
Na última quinta-feira, a Diocese de Nova Iguaçu promoveu um encontro com os pré-candidatos à prefeitura em um bate-papo realizado no bairro Moquetá. O evento, que tinha como objetivo ouvir as propostas dos postulantes para melhorar a qualidade de vida dos mais carentes, acabou por evidenciar uma tensão crescente entre o prefeito evangélico e a comunidade católica local.
Desde que assumiu o cargo, o prefeito tem evitado participar das festividades católicas, alegando que suas crenças evangélicas justificam sua ausência. Contudo, essa postura tem gerado desconforto em uma cidade onde 49% da população se declara católica, enquanto os evangélicos representam 36%, e outras religiões, incluindo as afro-brasileiras, somam 15%.
A ausência do prefeito nos eventos católicos tem sido vista pela direção diocesana como um desrespeito às tradições de uma parcela significativa da população. A gestão de um político deve transcender suas crenças pessoais e abranger a pluralidade cultural e religiosa da cidade que administra. Políticos de diferentes denominações frequentemente participam de eventos variados para se conectar com todas as partes da comunidade, algo que o prefeito parece não ter compreendido.
Além desse ponto de fricção, a administração atual tem sido marcada por decisões que também têm impacto na vida cultural da cidade. A mais notável é o fim do Carnaval em Nova Iguaçu. A festa, que era um importante evento cultural e econômico, foi descontinuada desde que o prefeito assumiu o cargo. O Carnaval, além de ser uma celebração popular, gerava renda e empregos para muitos moradores e desempenhava um papel crucial na vida social da cidade.
O encontro com os pré-candidatos à prefeitura trouxe à tona a importância de um governo que respeite e valorize a diversidade religiosa e cultural de Nova Iguaçu. A presença dos candidatos revelou um reconhecimento geral da necessidade de uma administração que não apenas ouça, mas que também atenda às necessidades e tradições de toda a população.
O que se observa é uma administração que parece priorizar uma visão unidimensional sobre a gestão pública, em vez de promover a união e a convivência harmônica entre diferentes crenças e culturas. O resultado é um sentimento crescente de desconsideração entre os católicos e um descontentamento geral quanto à perda de tradições que contribuem para a identidade e coesão da cidade.
A Diocese, ao organizar o evento, deixou claro que espera que futuros governantes adotem uma postura mais inclusiva e respeitosa. O próximo líder de Nova Iguaçu terá o desafio de entender que governar é, acima de tudo, servir a todos, respeitando a diversidade e promovendo o bem-estar coletivo. A questão central permanece: até onde vai um governo que não cumpre as demandas de seu povo? Essa é a questão que os eleitores de Nova Iguaçu levarão às urnas nas próximas eleições.
Por: Arinos Monge.