
Vice-governador não economiza nas críticas à segurança e meio ambiente, enquanto traça seu caminho para disputar o governo do Rio. O clima entre ele e Cláudio Castro já não é mais o mesmo.
Thiago Pampolha decidiu falar sem rodeios e, ao que tudo indica, sem olhar para trás. O vice-governador do Rio de Janeiro, que até pouco tempo era visto como aliado fiel de Cláudio Castro, agora se mostra cada vez mais independente — e ambicioso. Com a disputa pelo Palácio Guanabara em 2026 no horizonte, Pampolha começou a traçar uma linha clara entre ele e o atual governador, deixando no ar uma relação que já não parece tão amigável.
Nos últimos dias, Pampolha escancarou críticas à gestão da segurança pública e ao meio ambiente, duas áreas sensíveis que o governo Castro tenta equilibrar com discursos otimistas. Mas o vice não se ateve a formalidades: foi direto ao ponto, jogando luz sobre problemas que já são motivo de insatisfação popular.
Segurança: um barril de pólvora
A segurança pública no Rio vive uma crise constante, e Pampolha não poupou palavras para dizer que a situação está longe do ideal. Enquanto o governo insiste que os índices de criminalidade estão caindo, a população sente o contrário na pele, com casos de violência aumentando em diversas regiões. O vice-governador demonstrou descontentamento com a forma como a segurança tem sido conduzida, deixando claro que vê necessidade de mudanças urgentes.
O recado foi direto: ele quer se posicionar como alguém que não fechará os olhos para o problema. Mas, ao fazer isso, abre uma ferida dentro do próprio governo. Afinal, se há falhas, de quem é a responsabilidade?
Meio ambiente: descompasso com Castro
Outra crítica de Pampolha foi na área ambiental, tema que ele sempre teve como bandeira. O vice-governador se mostrou insatisfeito com a condução das políticas ambientais do Estado, insinuando que o governo atual poderia estar mais preocupado com interesses econômicos do que com a preservação ambiental.
Essa postura gerou ruídos dentro do próprio grupo político de Castro, já que Pampolha, ocupando a vice-governadoria, deveria teoricamente estar alinhado com a administração. Mas, pelo visto, ele já está olhando para 2026 e não pretende carregar no currículo erros que possam comprometer sua imagem como futuro candidato.
E agora, Castro?
Cláudio Castro, que tenta costurar alianças para se manter forte no cenário nacional, agora tem um problema interno: um vice que, ao invés de reforçar a base governista, começa a pavimentar sua própria estrada. Pampolha, ao se posicionar de forma mais crítica e independente, sinaliza que pode se tornar um adversário direto na corrida pelo governo do Rio.
O governador, que já enfrenta desafios para segurar sua base aliada, agora precisa decidir se ignora as alfinetadas ou se começa a se movimentar para evitar que Pampolha ganhe ainda mais força. O fato é que, dentro da política fluminense, os bastidores já estão fervendo.
Se a relação entre Pampolha e Castro já teve momentos melhores, agora o clima está longe da harmonia. E, se 2026 parece distante, a guerra de bastidores já começou.
Por: Arinos Monge.