Comando até outubro: permanência do interino pode redesenhar o governo do Rio
O diretor-geral da EMERJ, desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo fala durante seminário da EMERJ, no Tribunal de Justiça, no centro do Rio.
Hipótese debatida no STF surpreende grupos políticos já articulados e abre espaço para reforma administrativa e revisão de gastos até as eleições
O tabuleiro político do Rio de Janeiro ganhou um novo desenho nesta terça-feira (8). Durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a sucessão no Palácio Guanabara, ministros passaram a discutir a possibilidade de o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, permanecer no comando do estado até as eleições de outubro. (TMC)
A hipótese, que não estava no roteiro inicial das articulações políticas já montadas, muda o ritmo dos grupos que vinham trabalhando uma definição mais imediata para o mandato-tampão. O cenário agora passa a ser de espera estratégica, com partidos e lideranças reavaliando alianças, apoios e movimentos de bastidor. (VEJA)
Caso prevaleça a tese de unificação da eleição com o calendário de outubro, Ricardo Couto poderá seguir à frente do Executivo fluminense por mais alguns meses. Nos corredores do poder, a leitura é de que esse período pode abrir espaço para uma reorganização administrativa, incluindo eventuais mudanças no comando de secretarias, revisão de contratos e ajustes nas despesas públicas.
A possibilidade de cortes de gastos e de uma reforma interna na estrutura do governo passa a ser observada com atenção por diferentes setores políticos e administrativos, sobretudo diante da necessidade de garantir estabilidade institucional até a definição nas urnas.
O placar parcial do julgamento terminou empatado em 1 a 1. O relator, ministro Cristiano Zanin, votou pela eleição direta, enquanto Luiz Fux defendeu a escolha indireta. O julgamento será retomado na quinta-feira, quando novos votos poderão definir não apenas o modelo da sucessão, mas também o tempo de permanência do atual interino no cargo. (TMC)
Até lá, o ambiente político no Rio segue em compasso de expectativa. Mais do que decidir quem comandará o estado, a decisão do Supremo pode influenciar diretamente a montagem das chapas, os grupos de força e a própria estrutura administrativa do governo nos próximos meses.




