Paes lidera com 34%, No 2º turno (49% a 16%) de Ruas, mas 40% de indecisos e brancos são o verdadeiro “Poder”
O silêncio de quase metade do eleitorado expõe a revolta contra o loteamento de cargos e o abandono do interior.
Por: Jornalista Arinos Monge
O cenário político do Rio de Janeiro não está apenas desenhado; ele está em chamas. A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira (27), traz um paradoxo explosivo: Eduardo Paes (PSD) lidera com folga (34%), mas o dado que realmente faz tremer o Palácio Guanabara são os 40% de eleitores que ainda não escolheram ninguém. É o grito silencioso de um estado que se sente órfão de gestão.
O Interior no “Cabresto”: Norte, Noroeste e Sul Reféns da Verba
A temperatura ferve quando olhamos para as regiões que sustentam o estado. No Norte, Noroeste e Sul Fluminense, a política de resultados deu lugar ao jogo da dependência extrema. Lideranças locais afirmam que essas regiões estão “doentes”, asfixiadas por um modelo onde a sobrevivência dos municípios depende exclusivamente de “beijar a mão” do grupo de Cláudio Castro.
Prefeitos e lideranças regionais, sem autonomia financeira, acabam virando cabos eleitorais compulsórios. “É o voto pela sobrevivência. Ou o prefeito entrega a cidade para Douglas Ruas, ou as verbas públicas simplesmente não chegam para tapar o buraco da rua”, desabafam políticos do Noroeste.
Segurança Pública: O Medo que Atravessa a Serra
O abandono não é apenas financeiro, é vital. Se antes a insegurança era um drama da capital e da Baixada, hoje o crime organizado avança sem freios pelo interior. Enquanto o governo se gaba de inaugurar hospitais que funcionam como fachadas, o cidadão de Itaperuna, Resende e Campos vive sob a sombra de uma violência que o estado ignora. “A segurança virou moeda de troca; só há reforço onde há interesse político”, afirmam lideranças que veem o efetivo policial ser usado como peça de tabuleiro.
Douglas Ruas: O “Start” que Não Acontece
Mesmo com a caneta da Alerj e o apoio da máquina, Douglas Ruas (PL) aparece com apenas 9% e patina na rejeição. O sentimento nos bastidores é de que ele representa o “enguiço” de um sistema que parou o Rio para alimentar apadrinhados.
Traições e Fantasmas: Witzel e Garotinho
O caldeirão entorna ao lembrarmos de quem foi usado e descartado. Políticos afirmam que Wilson Witzel (3%) “carregou Castro nas costas” para ser traído pelo grupo que hoje se banqueteia com o orçamento. “Witzel pagou com duras penas, enquanto o atual grupo usa o interior como curral eleitoral através de cargos”, dizem analistas. Já Anthony Garotinho (8%) continua preso ao rótulo do “muito barulho por nada”, sem furar a bolha do passado.
Conclusão: O Gigante de 40%
A pesquisa mostra que Eduardo Paes caminha para uma vitória acachapante no segundo turno (49% a 16%), mas o “partido dos indecisos” (40%) é quem detém a chave do estado. O povo do interior e da capital parece estar cansado de ver verba pública e segurança virarem moedas de troca para apadrinhados. O Rio de Janeiro ferve, e o remédio não está nas placas de inauguração, mas em devolver o estado ao cidadão.
Fontes: Dados baseados na Pesquisa Genial/Quaest (RJ-00613/2026). Análise de conjuntura e depoimentos de lideranças regionais colhidos pelo Jornalista Arinos Monge.




