Câmara de Nova Iguaçu avança em pautas sociais, presta tributo a Maninho de Cabuçu e movimenta bastidores da Mesa Diretora
A Câmara Municipal de Nova Iguaçu voltou a ocupar o centro do debate público com uma sessão que misturou agenda social, sinalizações políticas e emoção. No plenário, os vereadores aprovaram projetos que mexem diretamente com temas sensíveis — violência contra a mulher, proteção da infância e desenvolvimento rural — ao mesmo tempo em que prestaram homenagem a uma figura popular da cidade: Germano Silva de Oliveira, o Maninho de Cabuçu.
O pacote de propostas aprovado carrega um recado claro: há uma tentativa de alinhar o discurso institucional com demandas históricas da população. Em segunda discussão, passou o projeto que cria um programa de acompanhamento psicológico para mulheres vítimas de violência. A iniciativa mira um ponto crítico — o pós-agressão — e tenta preencher uma lacuna recorrente nas políticas públicas: o cuidado emocional contínuo, não apenas o atendimento emergencial.
Também avançou, em primeira discussão, a chamada Política Pública do Caminho Rural. A proposta aposta no potencial ainda subexplorado das áreas rurais de Nova Iguaçu, mirando desde infraestrutura até turismo e produção agrícola. Na prática, é uma tentativa de tirar essas regiões do isolamento histórico e colocá-las no radar do desenvolvimento econômico local.
Na mesma linha de proteção social, foi aprovado em segunda discussão o projeto que obriga síndicos a comunicarem suspeitas de abandono ou negligência envolvendo crianças e adolescentes. A medida amplia o cerco contra violações dentro de condomínios — espaços onde, muitas vezes, situações desse tipo permanecem invisíveis.
Mas a sessão não ficou restrita ao campo legislativo. O clima também foi de homenagem. Maninho de Cabuçu, falecido recentemente, teve seu nome reverberado no plenário e fora dele. A inauguração da Clínica da Família que leva seu nome, junto com o centro TEAbraçar — voltado ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista — foi destacada como um marco simbólico e político. Mais que equipamentos públicos, os espaços carregam o peso de um legado que ainda mobiliza a cidade.
Nos bastidores, outro movimento chama atenção: a leitura do projeto que propõe renomear uma rua em Cabuçu em homenagem ao vereador reforça a tentativa de eternizar sua memória no território onde construiu sua base política.
E, como pano de fundo, começa a ganhar corpo a articulação para a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara. Ainda que tratada de forma protocolar, a movimentação já acende o radar político — afinal, é ali que se definem os rumos administrativos e o equilíbrio de forças dentro da Casa.
Entre projetos aprovados, homenagens e articulações, a sessão deixa uma impressão clara: enquanto o discurso público mira o social, o jogo político segue acontecendo, com olhos atentos ao próximo movimento.



