Pesquisa mostra liderança consolidada de Eduardo Paes, alianças redesenham o tabuleiro e o eleitor parece cada vez menos disposto a aceitar a velha política como única opção.
A eleição para o Governo do Estado do Rio de Janeiro deixou de ser apenas uma disputa entre candidatos. Ela se transformou em um teste de memória do eleitor.
Os números da pesquisa mais recente do Paraná Pesquisas colocam Eduardo Paes (PSD) na liderança, com vantagem suficiente para sonhar com uma vitória ainda no primeiro turno. Mas, mais importante do que os percentuais, é o movimento político que acontece fora das planilhas.
Nos bastidores, o tabuleiro virou.
Washington Reis, uma das maiores lideranças da Baixada Fluminense, abandonou o projeto próprio e levou o MDB para a chapa de Eduardo Paes, indicando sua irmã, Jane Reis, como candidata a vice-governadora. A movimentação reorganizou forças políticas em todo o estado e abriu uma nova frente eleitoral na Baixada.
A reação foi imediata.
Anthony Garotinho, aliado histórico de Washington Reis, recusou-se a seguir o mesmo caminho. Publicamente, declarou que mantém a amizade, mas afirmou que não dividirá o mesmo palanque com Eduardo Paes. A declaração expôs uma das maiores fissuras políticas desta eleição e mostrou que, quando o assunto é poder, alianças podem mudar, mas convicções — ou estratégias — nem sempre caminham juntas.
Enquanto isso, o eleitor observa.
E talvez seja justamente aí que mora a principal novidade de 2026.
Durante décadas, eleições eram vencidas pela força das máquinas públicas, pelo peso das estruturas partidárias e pela influência de grupos políticos consolidados. Hoje, esse modelo enfrenta um eleitor mais desconfiado, conectado e disposto a cobrar resultados.
A população quer hospitais funcionando, escolas abertas, ruas conservadas, segurança, transporte e oportunidades de emprego. Quer serviços públicos permanentes, não apenas agendas intensificadas em ano eleitoral.
Também é nesse período que cresce o debate sobre o uso da estrutura administrativa por grupos políticos. A legislação eleitoral estabelece limites claros para impedir que bens, servidores e recursos públicos sejam utilizados para favorecer candidaturas. Quando surgem denúncias de abuso da máquina pública, cabe ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral investigar e, se houver provas, responsabilizar os envolvidos.
O fato é que a campanha de 2026 está sendo construída em um ambiente completamente diferente do de eleições passadas. A internet reduziu o controle da narrativa. Vídeos circulam em segundos. Declarações ficam gravadas. Mudanças de posição são comparadas. Alianças improváveis são imediatamente questionadas.
O velho ditado continua atual: água passada não move moinho.
Quem governou será lembrado pelo que fez. Quem fez oposição será cobrado pelo que propôs. E quem mudou de lado terá de explicar ao eleitor por que mudou.
Talvez por isso uma música tenha voltado a fazer sentido neste momento. O sucesso “Tá Escrito”, do Grupo Revelação, parece traduzir o sentimento de uma parcela do eleitorado:
“Erga essa cabeça, mete o pé e vai na fé. Manda essa tristeza embora. Basta acreditar que um novo dia vai raiar.”
O Rio parece querer exatamente isso: um novo dia.
Se esse novo dia virá com os mesmos protagonistas, com novas alianças ou com uma mudança de rumo, a resposta será dada nas urnas. Porque, no fim das contas, não é o tamanho do palanque que decide uma eleição. É a memória de quem entra sozinho na cabine de votação.
Fonte: Paraná Pesquisas (RJ-04259/2026)
Por Jornalista Arinos Monge



