AGORA É PRA VALER: CAMPANHA COMEÇA NO RIO E A BAIXADA VIRA PALCO DA DISPUTA PELO GOVERNO
A eleição deixou de ser promessa, conversa de bastidor e reunião fechada. A partir deste domingo (16), o jogo eleitoral está oficialmente aberto no Rio de Janeiro. E a Baixada Fluminense, como quase sempre acontece quando a disputa aperta, aparece no mapa como um território que ninguém pode ignorar.
O calendário eleitoral permite, desde hoje, a propaganda eleitoral, inclusive na internet. Candidatos também podem realizar caminhadas, carreatas, passeatas, comícios e outros atos de campanha dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Mas existe uma diferença importante entre começar a campanha e começar a disputa. A disputa já vinha acontecendo há meses. O que muda agora é que o eleitor passa a enxergar, oficialmente, quem está pedindo o voto, qual discurso cada candidato pretende levar para a rua e, principalmente, quem tem grupo suficiente para transformar apoio político em voto.
E a Baixada já mostrou que não pretende assistir à eleição da arquibancada.
Nova iguaçu abre a porta
Eduardo Paes escolheu Nova Iguaçu para marcar seu primeiro dia oficial de campanha ao governo do Estado. O candidato programou uma carreata pela cidade, acompanhado de lideranças políticas da região. A escolha do município não parece casual.
Nova Iguaçu é um dos principais colégios eleitorais da Baixada e representa uma peça importante para qualquer candidato que queira chegar ao Palácio Guanabara.
Paes passou os últimos meses percorrendo o Estado e preparando sua estrutura política para a largada oficial. Agora, a estratégia muda. Não basta visitar. É preciso conquistar.
A baixada não é figurante
A região concentra um enorme contingente eleitoral e reúne municípios que podem fazer diferença na soma final das urnas. Por isso, prefeitos, vereadores, deputados e lideranças comunitárias passam a ter valor ainda maior na engrenagem eleitoral.
A disputa pelo apoio desses grupos já começou. E não se trata apenas de fotografia política. Cada prefeito, cada vereador, cada liderança regional e cada grupo organizado pode representar uma parcela importante de votos.
O eleitor agora pode cobrar
Durante meses, o eleitor ouviu pré-candidatos, acompanhou alianças, convenções, reuniões e anúncios. Agora pode cobrar propostas.
A propaganda eleitoral está autorizada a partir deste domingo, inclusive na internet. Também estão permitidos atos de rua dentro das regras previstas pela legislação eleitoral.
É a partir de agora que os discursos começam a ser confrontados com a realidade: segurança, saúde, transporte, saneamento, emprego e infraestrutura.
São problemas que não aparecem apenas em pesquisas eleitorais. Fazem parte da rotina de quem mora na Baixada e precisa enfrentar todos os dias as dificuldades de uma região que cresceu muito, mas ainda convive com enormes desigualdades.
A eleição começa na rua
O calendário diz que a campanha começa hoje. Mas quem conhece a política da Baixada sabe que a eleição começa muito antes da urna.
Começa na reunião de bairro, na conversa com o vereador, na foto com o prefeito, na associação de moradores, na igreja, na carreata, no ponto de ônibus e na porta do posto de saúde.
E começa, principalmente, quando o eleitor pergunta: o que esse candidato vai fazer pela minha cidade?
É por isso que a presença de Eduardo Paes em Nova Iguaçu neste primeiro dia merece atenção. A escolha da Baixada para abrir a campanha não é apenas uma agenda. É um recado.
O território está em disputa.
E a disputa promete ser pesada.
A partir de agora, cada cidade, cada bairro e cada grupo político passa a ter importância ainda maior. A pré-campanha acabou. As fotografias de alianças começam a virar fotografia de rua.
Agora é pra valer.
E na Baixada Fluminense, ninguém quer ficar fora da foto.
Por Jornalista Arinos Monge



