A Baixada mostrou sua força nas urnas — e agora quer espaço nas decisões do Rio
Região colocou nomes entre os mais votados do estado e mostrou que seus milhões de eleitores têm peso para definir os rumos da política fluminense
A eleição de 2026 deixou uma mensagem clara para o Rio de Janeiro: a Baixada Fluminense não pode mais ser tratada apenas como um grande colégio eleitoral. A região saiu das urnas com nomes de peso, votações expressivas e diferentes grupos políticos fortalecidos.
O resultado mais simbólico veio de Nova Iguaçu. O deputado federal Dr. Luizinho, do PP, terminou a eleição como o deputado federal mais votado do estado, com 213.904 votos. Na própria Nova Iguaçu, sua principal base eleitoral, foram 77.048 votos.
Na Assembleia Legislativa, outro nome da Baixada apareceu entre os grandes vencedores. Márcio Canella, de Belford Roxo, alcançou 197.178 votos e terminou como o segundo deputado estadual mais votado do Rio. Mais de 133 mil desses votos vieram de Belford Roxo, mostrando a força de uma base eleitoral construída ao longo dos anos.
Mas o resultado não se resume a dois nomes.
Duque de Caxias mostrou novamente sua capacidade de produzir lideranças. Gutemberg Reis foi o deputado federal mais votado no município, enquanto Rosenverg Reis liderou a disputa para a Alerj. Outros nomes também conseguiram votação expressiva, mantendo Caxias entre os principais centros políticos da região.
Em Magé, Renato Cozzolino garantiu uma votação forte para deputado federal e Vinícius Cozzolino também conquistou espaço na Assembleia. Mesquita e São João de Meriti tiveram resultados semelhantes, com lideranças locais transformando força municipal em mandatos.
Nova Iguaçu também teve outro capítulo importante. Felipinho Ravis e Carlinhos BNH foram eleitos para a Alerj com votações expressivas na cidade. O resultado reforça o peso do município na formação da bancada estadual.
É um cenário que mostra uma Baixada politicamente diversificada. Cada cidade tem sua própria força, seus grupos, seus nomes e suas escolhas. Em algumas, a votação se concentra em uma liderança. Em outras, o eleitor distribui sua preferência entre diferentes candidatos.
O mais importante, porém, está no que acontece depois da eleição.
Uma votação expressiva não pode ser apenas comemorada. Ela precisa se transformar em representação, recursos, obras, investimentos e presença nas decisões que afetam diretamente a vida de quem mora na região.
A Baixada tem problemas históricos de mobilidade, segurança, saúde, educação, saneamento e infraestrutura. Também tem uma população enorme, trabalhadores, empreendedores, estudantes, atletas, artistas e uma juventude que busca oportunidades.
Agora, com uma bancada regional fortalecida, a cobrança também aumenta.
O eleitor fez sua parte nas urnas. Escolheu seus representantes e mostrou a força de cada território.
Cabe aos eleitos transformar esse peso eleitoral em presença política.
Por: Jornalista Arinos Monge




