Correspondências recém-divulgadas mostram que Epstein afirmou que Trump “sabia das garotas”; administração acusa oposição de manipular documentos para desgaste político.
Washington – Um novo capítulo da polêmica envolvendo o falecido financista Jeffrey Epstein voltou ao centro das atenções na quarta-feira (12), quando legisladores democratas da House Oversight Committee divulgaram três e-mails que sugerem que Donald Trump esteve mais próximo das operações de Epstein do que previamente admitido.
Num dos documentos, de 2011, Epstein escreve para a associada Ghislaine Maxwell: “that dog that hasn’t barked is Trump … [Victim] spent hours at my house with him … he has never once been mentioned.” Outro, de 2019, traz: “Of course he knew about the girls as he asked Ghislaine to stop.”
A Casa Branca reagiu com veemência. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que o que está em jogo é um vazamento “seletivo” e politizado, conduzido por adversários para “criar uma narrativa falsa para manchar o presidente”.
Segundo Leavitt, o nome da vítima redigida nos e-mails é Virginia Giuffre — falecida em abril — que em seu relato postumamente divulgou que Trump “não se envolveu em nada de errado”.
Para os democratas, a divulgação marca uma nova pressão sobre o governo para liberar todos os arquivos não classificados relacionados ao caso Epstein e à conduta de autoridades públicas. Já os republicanos acusam os democratas de “selecionar” documentos para gerar escândalo, argumentando que há milhares de páginas ainda não amplamente analisadas.
O impacto político é imediato: enquanto a atenção pública se volta para esse enrosco, o governo enfrenta outro problema — o impasse orçamentário e a paralisação recorde do governo federal. Trump afirmou que o movimento é uma manobra de “desvio” por parte dos democratas para esconder sua responsabilidade na crise orçamentária.
Embora o teor dos e-mails não constitui, por si só, uma acusação formal contra Trump — não há, até agora, prova pública de envolvimento criminal — eles reacendem dúvidas persistentes sobre o grau de conhecimento ou conivência de figuras públicas em redes de tráfico sexual que operaram décadas.
Para o observador, o episódio revela duas frentes: uma de transparência e prestação de contas, em que o Congresso busca revelar arquivos antes sigilosos; e outra de disputa política, em que cada lado acusa o outro de usar o caso como arma de propaganda. Em meio a isso, a reputação de Trump volta a ser testada em praça pública — no meio de uma tempestade em que poderosos interesses se entrelaçam com redes clandestinas.




