Depois da reviravolta no plenário, o destino do deputado deixa de ser político e volta a ser jurídico — com o Rio inteiro de olho no próximo capítulo
O Rio de Janeiro amanheceu com aquele burburinho típico de quando a política resolve levantar poeira. E não foi pouca. A Assembleia Legislativa colocou na mesa o nome mais comentado das últimas semanas e decidiu: Rodrigo Bacellar pode voltar pra rua — pelo menos por enquanto. A Casa aprovou, com folga, a revogação da prisão preventiva do deputado, abrindo o portão para que ele deixe a cadeia assim que o STF bater o martelo.
Foram 42 votos a favor, 21 contra e duas abstenções. Um placar que deixa claro o peso de Bacellar dentro da própria Alerj. Ali, dentro do plenário, não se votou só um pedido de liberdade. Votou-se influência, articulação, alianças e aquele velho instinto de autoproteção que o Legislativo carioca conhece tão bem.
Mas a novela está longe de acabar. A decisão da Alerj não solta ninguém por conta própria. Ela apenas envia o recado para Brasília: “Supremo, a bola está contigo”. E é lá, nos gabinetes e nos votos digitais dos ministros, que o desfecho real vai nascer.
O que pesa contra Bacellar não é simples. A Polícia Federal o acusa de vazar dados sigilosos de uma operação que prendeu outro deputado, TH Joias, além de dar instruções para destruição de provas. As suspeitas surgiram de interceptações telefônicas — e, convenhamos, quando áudio chega nesse nível, ninguém trata como boato.
Mesmo assim, a maioria dos parlamentares fluminenses preferiu confiar no colega. Ou talvez confiar no próprio sistema de blindagem que historicamente protege quem tem capital político suficiente. Aliados comemoraram, críticos reclamaram, e as redes sociais se dividiram entre aplausos e indignação.
Seja como for, Bacellar deve voltar para casa sob alguma condição: tornozeleira, restrição de contatos, obrigação de manter distância de investigações. O pacote completo está na mesa. A questão agora é: o Supremo banca?
Enquanto isso, o cenário político do Rio treme um pouco. Não por falta de escândalos — isso já faz parte da rotina —, mas porque o destino de Bacellar mexe diretamente no tabuleiro de alianças para 2026, nos movimentos internos da Alerj e no humor do eleitorado fluminense, já cansado de ver mais capítulos policialescos do que propostas concretas.
A verdade é que, no fim das contas, todo mundo está esperando a mesma coisa: o próximo passo. A Alerj fez sua jogada. Bacellar sorri, respira e se prepara. Seus adversários se armam. Seus aliados inflam as redes. E o STF, silencioso, observa.
Num Rio onde a política muda de direção mais rápido que ônibus lotado descendo a Via Light, uma coisa é certa: o caso Bacellar ainda tem muitos quilômetros pela frente. E o povo, como sempre, vai assistindo — torcendo para que, dessa vez, a justiça chegue antes que o desgaste.




