Até Quando? O Rio e o desafio da violência crônica
Por: Jornalista Jackson Vasconcelos
A eleição na ALERJ não foi para a presidência da Casa. Se fosse só isso, a disputa seguiria tranquila. Mas a eleição foi para a cadeira de governador do estado. E aí é que está o problema. O problema dos candidatos, mas nenhum problema ainda para o povo do estado, que está pensando em outra pauta: a segurança pública.
A imagem do Rio de Janeiro, cidade e estado, é a de um lugar onde o crime parece ser uma vocação. É lamentável, mas esse é um fato. E isso acontece apesar de todos os governadores eleitos desde 1982 terem prometido resolver o problema da violência.
Leonel Brizola, por exemplo, apresentou uma proposta de criação de escolas de tempo integral. Ele acreditava que a ociosidade das crianças e a falta de ensino de qualidade eram fatores que levavam ao envolvimento delas com o crime. Mas, claramente, não funcionou. Em seguida, o povo elegeu Wellington Moreira Franco, ex-prefeito de Niterói, que, de certo modo, deixou de lado o projeto de Brizola e investiu na construção de presídios.
Na sexta-feira, 26 de junho de 1987, o jornal O Globo noticiou: “Os índices de violência aumentaram cerca de dez por cento. O Esquadrão da Morte fez dezenas de vítimas na Baixada Fluminense, a cumplicidade de policiais com o crime organizado continuou em delegacias e quartéis, e a Polícia permanece desaparelhada e sem treinamento.”
Mesmo diante dessa realidade dos primeiros cem dias — fase inicial do seu governo —, o governador Moreira Franco reafirmou, em um evento com seu secretariado e mais de 20 repórteres, o compromisso feito na campanha eleitoral: em seis meses, acabar com a violência no Estado, ou, pelo menos, reduzi-la sensivelmente.
“Estou consciente do desafio que significa enfrentar o crime organizado no Estado do Rio, mas creio que já chegamos ao limite na nossa comunidade. É preciso garantir o primeiro dos direitos humanos: o direito à vida.” O compromisso foi reafirmado diante de todos, por uma hora e meia.
Bem, Moreira inaugurou presídios de segurança máxima, mas o problema da violência persistiu.
Leonel Brizola retornou ao poder. Depois dele, Marcello Alencar, com a proposta da “gratificação faroeste”, para premiar policiais pelo desempenho no combate ao crime. Nada aconteceu. Em seguida, veio Garotinho, com a tese de dar mais eficiência aos inquéritos, criando as delegacias legais. E tudo piorou. Benedita também não fez muito mais, embora tenha inaugurado um dirigível e prendido Elias Maluco. O quadro de violência continuou o mesmo.
Sérgio Cabral tentou com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), depois de receber uma crítica da ONU em razão de uma chacina no Complexo do Alemão. A UPP funcionou por um tempo, até que a imprensa virou contra o projeto devido ao assassinato de Amarildo. E, para piorar a situação, o principal financiador do projeto, Eike Batista, entrou em declínio e desgraça.
A questão permanece sem resposta. O Rio de Janeiro, apesar de todas as promessas e tentativas, segue como um estado onde a violência se reinventa a cada governo. A cada novo mandatário, a promessa de uma solução para o problema. A cada novo discurso, a esperança renovada — mas a realidade, implacável, continua. Até quando?




