Interior abre as portas para Eduardo Paes e Duas Barras entra no mapa político de 2026
Município da Serra fluminense, com economia baseada na agropecuária, turismo rural e dependência de repasses públicos, simboliza o peso estratégico das pequenas cidades na disputa pelo Palácio Guanabara
A presença de Eduardo Paes em Duas Barras ao lado do prefeito Armando Rosemberto Mattos Teixeira, o Bebeto, vai muito além de uma foto cordial ou de uma postagem nas redes sociais. O movimento acende um sinal importante no tabuleiro político fluminense: o interior voltou ao centro da disputa pelo Governo do Estado.
Com pouco mais de 11 mil habitantes, Duas Barras representa exatamente o perfil de município que costuma “fechar a conta” nas eleições estaduais. Cidades pequenas, espalhadas pela Serra e interior do Rio, possuem eleitorado reduzido individualmente, mas juntas formam um bloco decisivo para qualquer projeto político competitivo.
Localizada na região Centro-Norte fluminense, a cerca de 180 quilômetros da capital, Duas Barras integra a microrregião de Nova Friburgo e carrega características típicas do interior serrano: economia baseada na agropecuária, pequena atividade industrial, serviços locais e forte dependência da máquina pública.
Os números ajudam a entender o tamanho do desafio — e da importância política — dessas cidades. Segundo dados do IBGE, o município possui população estimada em cerca de 11,3 mil moradores, densidade demográfica baixa e IDH de 0,659, considerado médio. O PIB per capita gira em torno de R$ 26 mil, bem abaixo da média estadual.
Mais da metade da atividade econômica local está diretamente ligada à administração pública, o que mostra o peso das verbas estaduais e federais no funcionamento da cidade. Serviços representam cerca de 26% da economia, enquanto a agropecuária mantém papel histórico e cultural relevante na região.
A tradição agrícola de Duas Barras vem desde o século XIX, impulsionada inicialmente pelo café. Hoje, pequenas propriedades rurais, pecuária leiteira, agricultura familiar e o turismo de natureza ajudam a movimentar a economia local.
Com clima de montanha, altitude superior a 500 metros e forte presença de Mata Atlântica, o município aposta também no turismo rural, cultural e ecológico. Cachoeiras, fazendas históricas e eventos tradicionais ajudam a manter viva uma economia de baixa escala, mas com potencial regional.
Na prática política, cidades como Duas Barras funcionam como termômetro do interior. São municípios onde prefeitos ainda possuem forte influência eleitoral, onde alianças regionais pesam muito e onde o eleitor costuma votar observando presença, proximidade e compromisso com demandas locais, como saúde, estradas, transporte e geração de emprego.
Por isso o gesto de Eduardo Paes ganha leitura estratégica. Historicamente identificado com a capital, Paes tenta ampliar sua presença fora da Região Metropolitana e construir pontes com prefeitos do interior, principalmente em cidades menores que dependem diretamente de investimentos estaduais para infraestrutura, saúde e desenvolvimento econômico.
As estradas que cortam a Serra fluminense também explicam parte dessa lógica. Municípios como Duas Barras vivem conectados economicamente a polos como Nova Friburgo, Cantagalo e Cordeiro, mas ainda enfrentam desafios históricos de mobilidade, logística e atração de investimentos privados. O resultado é uma dependência maior de programas estaduais e federais para manter a economia girando.
Nesse cenário, apoio político vale quase como moeda institucional. E é exatamente aí que a postagem publicada por Eduardo Paes encontra seu peso: mais do que um agradecimento, ela sinaliza entrada, presença e construção de base em uma região onde eleições estaduais costumam ser decididas voto a voto.
Porque no Rio, muitas vezes, não é a capital que define tudo. É o interior que fecha a conta.
Por Jornalista Arinos Monge



