Ricardo Couto: do martelo dos tribunais à coroa do Estado
Poucos personagens da política fluminense chegaram ao centro do poder por uma rota tão improvável quanto Ricardo Couto.
Presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o desembargador saiu dos corredores onde decisões judiciais moldam os rumos do Estado para ocupar o Palácio Guanabara em um dos momentos mais delicados da política estadual.
A ascensão aconteceu em meio a uma ruptura institucional: com a vacância do comando do Executivo, a sucessão tradicional ficou travada e o presidente do Judiciário passou a exercer interinamente o governo do Estado. A permanência dele no cargo foi mantida por decisões do Supremo Tribunal Federal enquanto a Corte analisa os próximos passos da sucessão. (Agência Brasil)
O que parecia ser uma solução provisória ganhou outra dimensão.
Em poucas semanas, Ricardo Couto deixou de ser apenas o homem que seguraria o governo até uma definição jurídica e passou a ser observado como um novo personagem do tabuleiro político do Rio.
Sem mandato conquistado nas urnas e sem uma estrutura partidária própria, ele assumiu uma posição rara: a de governante com autoridade institucional, mas fora das disputas tradicionais entre grupos políticos.
O contraste chamou atenção da população e dos bastidores. Um nome que não estava nas principais apostas para a sucessão estadual passou a ocupar o centro das conversas sobre o futuro do Estado.
A missão é enorme: reorganizar uma máquina pública pressionada, administrar conflitos e mostrar que a autoridade construída nos tribunais pode sobreviver ao ambiente mais imprevisível da política.
Ricardo Couto trocou a toga pelo gabinete.
Saiu do lugar de quem bate o martelo nas decisões para segurar a coroa — ainda que temporária — do Estado.
No novo jogo do Rio, o improvável virou protagonista.



