Datafolha, Quaest, Paraná Pesquisas, Ipec e outros institutos ganharam espaço no jogo político, mas também passaram a ser avaliados pelo eleitor antes de cada nova divulgação
A eleição ainda nem começou oficialmente, mas uma disputa já está nas ruas, nas redes sociais e nas rodas de conversa: a disputa pela confiança do eleitor.
De um lado, estão os institutos de pesquisa, que apresentam números, cenários e tendências. Do outro, está o eleitor, que depois de algumas surpresas nas urnas passou a olhar com mais cuidado para cada levantamento divulgado.
A pergunta mudou. Antes, muita gente queria saber apenas: “quem está na frente?”. Agora, uma parcela maior do eleitorado quer saber: “quem fez a pesquisa?”, “quem pagou?”, “qual foi a metodologia?” e principalmente: “esse instituto costuma acertar ou errar?”.
No Brasil, alguns nomes ficaram conhecidos por medir o sentimento do eleitorado. O Datafolha, com décadas de atuação, continua sendo um dos mais tradicionais e respeitados. O instituto construiu sua história acompanhando grandes disputas nacionais, mas também passou por momentos de questionamento quando seus números ficaram distantes do resultado das urnas.
A Quaest é uma das novas forças do mercado. Criada em Minas Gerais, ganhou projeção nacional nos últimos anos e passou a aparecer com frequência nas disputas estaduais e nacionais. A empresa conquistou espaço, mas, como todos os institutos, também já recebeu críticas quando alguns levantamentos não confirmaram o resultado final das eleições.
O Paraná Pesquisas também ocupa lugar de destaque. Com presença forte em levantamentos políticos, ganhou reconhecimento por pesquisas nacionais e estaduais. Ao mesmo tempo, seus números também são analisados e comparados com outros institutos para medir a consistência dos resultados.
O Ipec, que herdou parte da história do antigo Ibope, carrega uma marca conhecida pelos brasileiros há décadas. O instituto tem grande experiência, mas enfrentou críticas em algumas eleições recentes por diferenças entre pesquisas e o resultado das urnas.
Outro nome que passou a chamar atenção foi a AtlasIntel, que utiliza uma metodologia diferente, principalmente com entrevistas pela internet. O instituto teve momentos de destaque por se aproximar de alguns resultados, mas também entrou no debate quando seus números ficaram fora da realidade em determinadas disputas.
Também aparecem no cenário institutos como MDA, DataSenado, PoderData e Real Time Big Data, cada um com suas metodologias, públicos pesquisados e formas de coleta.
A verdade é que nenhum instituto é dono da verdade. Pesquisa eleitoral não é bola de cristal. Ela mostra um retrato daquele momento, e não garante o resultado do dia da votação.
O eleitor aprendeu isso na prática. Nos últimos anos, muitos chegaram à urna com uma percepção diferente dos números divulgados anteriormente. Por isso, a confiança passou a depender menos de uma pesquisa isolada e mais de um conjunto de informações.
Uma pesquisa pode apontar uma tendência. Duas ou três pesquisas diferentes apontando o mesmo caminho começam a formar um cenário mais seguro.
Na eleição de 2026, principalmente na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro, os institutos estarão novamente no centro do debate. Cada número divulgado será analisado não apenas pelo percentual apresentado, mas pelo histórico de quem está por trás daquela pesquisa.
No fim das contas, existe uma certeza: a única pesquisa que não tem margem de erro é a urna eletrônica. É nela que o eleitor deixa de ser entrevistado e passa a dar a resposta definitiva.



