CULTURA DA BAIXADA QUER MAIS ESPAÇO E APOIO DAS EMPRESAS
Programa quer aproximar artistas e empresários para fortalecer a cultura e gerar emprego na Baixada Fluminense.
Quem mora na Baixada Fluminense sabe que talento não falta. Tem cantor, ator, escritor, artesão, grupo de dança, teatro, artistas de rua e muitos projetos culturais espalhados pelos municípios. O que falta, muitas vezes, é dinheiro para tirar as ideias do papel e fazer esses projetos crescerem.
Um levantamento do programa Descentraliza, feito com base em dados da Lei Rouanet, mostrou uma realidade que preocupa. Entre 2024 e 2025, menos de 1% dos recursos captados no Estado do Rio foi para projetos culturais da Baixada Fluminense. Ou seja, enquanto a região produz cultura todos os dias, a maior parte do investimento continua indo para outras cidades, principalmente a capital.
Foi para tentar mudar essa história que nasceu o Descentraliza. O programa reúne cerca de 150 artistas, produtores culturais e coletivos da Baixada com um objetivo bem claro: aproximar quem faz cultura das empresas que podem investir e ajudar esses projetos a saírem do papel.
A ideia é mostrar que a Baixada tem qualidade, criatividade e profissionais preparados. O que falta não é talento. Falta oportunidade e empresas dispostas a olhar para quem produz cultura dentro da própria região.
E opção não falta. Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis, São João de Meriti, Queimados, Japeri, Magé, Paracambi e Seropédica têm uma vida cultural muito rica. São festivais, peças de teatro, grupos de dança, rodas de samba, feiras de artesanato, projetos sociais e artistas independentes que trabalham todos os dias para manter a cultura viva.
Muitos desses projetos, porém, acabam parando no meio do caminho porque falta patrocínio. Em vários casos, artistas precisam procurar apoio fora da Baixada para conseguir realizar seus trabalhos.
O programa também quer mostrar que investir em cultura não é coisa só de grandes empresas. Um comércio, uma loja, uma clínica ou uma indústria também podem apoiar artistas locais, comprar obras de arte, contratar apresentações culturais ou patrocinar eventos da região. Além de ajudar quem vive da cultura, esse investimento movimenta a economia, gera emprego e faz o dinheiro circular dentro da própria Baixada.
Quando a cultura cresce, todo mundo ganha. Não é só o artista. Trabalham juntos técnicos de som, iluminadores, fotógrafos, cinegrafistas, costureiras, montadores, motoristas, vendedores, comerciantes e muitos outros profissionais que fazem parte dessa cadeia.
A expectativa é que cada vez mais empresas entendam que investir na cultura da Baixada é investir na própria região. Valorizar os artistas locais significa fortalecer a economia, criar oportunidades para os jovens e mostrar que a Baixada tem muito mais para oferecer do que muita gente imagina. O talento já existe. Agora, o desafio é fazer com que o investimento também chegue até ele.
Fonte: Diário do Rio, com informações do programa Descentraliza e dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).
Por Jornalista Arinos Monge



