O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, sinalizou nesta sexta-feira que Teerã pode aceitar o fim da guerra contra os Estados Unidos, mas deixou claro que não pretende negociar em posição de fraqueza. A mensagem é de abertura para uma saída diplomática, mas sem admitir rendição.
A declaração ocorre justamente quando o governo de Donald Trump aumenta a pressão econômica sobre o Irã e anuncia novas sanções para tentar sufocar as fontes de financiamento do regime iraniano.
O problema é que a guerra já ultrapassou os limites do confronto militar. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, continua sob fortes restrições, reduzindo o movimento de navios e aumentando a preocupação dos mercados.
O petróleo voltou a se aproximar dos US$ 95 por barril, refletindo o temor de uma interrupção ainda maior no abastecimento mundial.
Para o Brasil, a conta pode aparecer rapidamente. Petróleo mais caro significa pressão sobre combustíveis, transporte, fretes e inflação.
Pezeshkian tenta encontrar uma saída sem parecer derrotado. Trump, por sua vez, aposta na pressão econômica para obrigar Teerã a aceitar um acordo em condições mais favoráveis aos Estados Unidos.
A China também entrou no jogo e rejeitou novas ameaças de sanções americanas, defendendo negociações entre Washington e Teerã.
O cenário, portanto, é delicado: o Irã fala em encerrar a guerra, os Estados Unidos aumentam a pressão, o petróleo sobe e o Estreito de Ormuz permanece no centro da crise.
Se houver acordo e o estreito voltar a operar normalmente, os mercados poderão respirar. Se houver nova escalada, o impacto poderá atingir combustível e inflação em vários países.
A guerra no Oriente Médio, mais uma vez, mostra que pode começar longe e terminar no bolso de quem está do outro lado do planeta.
FONTES: Reuters, Associated Press, Al-Monitor, Euronews e Al Jazeera.




