A Rússia voltou a sinalizar nesta sexta-feira disposição para discutir novas propostas para encerrar a guerra na Ucrânia, mas sem abrir mão das exigências que vêm travando as negociações.
O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, afirmou que Moscou está aberta a novas ideias, desde que qualquer acordo leve em consideração o que o Kremlin chama de “realidades no terreno”.
Na prática, a expressão significa que a Rússia quer que as áreas ocupadas durante a guerra sejam consideradas nas negociações. Moscou controla atualmente cerca de 20% do território ucraniano.
A declaração ocorre enquanto os ataques continuam e a tensão aumenta também nas fronteiras dos países da Otan. A Romênia voltou a alertar para a proximidade dos ataques russos de seu território.
O problema é que Rússia e Ucrânia continuam distantes justamente no ponto mais difícil: território.
Kiev não aceita reconhecer como russas as regiões ocupadas, enquanto Moscou insiste que qualquer acordo de paz precisa considerar as mudanças territoriais produzidas pela guerra.
Os Estados Unidos continuam tentando pressionar os dois lados por uma solução diplomática, mas as negociações seguem sem um avanço capaz de produzir um acordo definitivo.
A guerra, que já dura anos, continua provocando mortes, destruição e deslocamento de milhões de pessoas. E, apesar das declarações sobre negociação, os combates mostram que nenhum dos lados parece disposto a abrir mão rapidamente de suas principais posições.
A fala russa pode representar uma tentativa de manter aberta a porta para a diplomacia. Mas, enquanto Moscou exigir que os territórios ocupados façam parte da conta e Kiev rejeitar essa condição, a paz continuará dependendo de uma mudança de posição que ainda não apareceu.
FONTES: Reuters, Associated Press e fontes diplomáticas internacionais.



