Datafolha mostra que veículos jornalísticos e jornalistas são as principais portas de entrada para o conteúdo eleitoral nas redes
Por Jornalista Arinos Monge
A eleição de 2026 ganhou uma nova arena, mas uma coisa chama atenção antes de qualquer outra: quem está levando a notícia ao eleitor continua sendo, principalmente, o jornalismo profissional.
Uma nova pesquisa Datafolha mostra que 57% dos usuários de redes sociais viram conteúdos relacionados às eleições nas últimas semanas. Entre eles, 75% tiveram contato com publicações de veículos jornalísticos e 71% viram conteúdos em perfis de jornalistas. Só depois aparecem os candidatos, com 69%, amigos e familiares, com 65%, influenciadores, com 61%, e grupos de WhatsApp ou Telegram, com 47%.
O número merece atenção. Em uma eleição cada vez mais dominada pela velocidade das redes, pelos vídeos curtos e pela força dos influenciadores, quem trabalha com informação profissional continua ocupando o primeiro espaço na porta de entrada da notícia eleitoral.
E isso coloca o jornalista no centro da conversa.
Não é apenas uma questão de audiência. É uma questão de responsabilidade. O jornalista que apura, confirma, confronta versões e publica uma informação assume uma responsabilidade muito diferente daquela de quem simplesmente comenta um assunto ou compartilha uma opinião.
Nas redes sociais, entretanto, tudo aparece misturado. A notícia divide espaço com a propaganda. A informação aparece ao lado da opinião. O comentário pode ganhar a mesma aparência de uma reportagem. Um vídeo produzido por uma campanha pode chegar ao eleitor junto com uma matéria jornalística.
É justamente nesse ambiente que a presença do jornalismo profissional ganha importância.
O eleitor está no celular, mas não está necessariamente atrás de propaganda. Ele procura informação, acompanha notícias e tenta entender o que está acontecendo na disputa.
Entre os eleitores que não estão alinhados nem com Lula nem com Flávio Bolsonaro, o contato com o jornalismo é ainda maior: 81% viram conteúdo de veículos jornalísticos. É justamente nesse eleitorado menos preso aos dois grandes polos que a informação ganha peso especial.
Depois do jornalismo vêm os outros atores dessa nova disputa.
Os candidatos têm seus próprios canais. Os influenciadores transformaram seguidores em audiência política. Amigos e familiares compartilham opiniões. Grupos de WhatsApp e Telegram formam redes fechadas de circulação de informação.
Todos querem a atenção do eleitor.
Mas o jornalista tem uma missão diferente: informar.
A pesquisa também mostra que os caminhos da informação mudam conforme o eleitor. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 68% tiveram contato com conteúdo de influenciadores, contra 55% entre os eleitores de Lula. Nos grupos de WhatsApp e Telegram, a diferença também aparece: 55% contra 43%.
Isso não significa que esses conteúdos tenham necessariamente mudado o voto. A pesquisa mede o contato do eleitor com as mensagens eleitorais. Mas revela uma guerra cada vez mais sofisticada pela atenção do brasileiro.
E as campanhas já entenderam isso.
A disputa não acontece somente no palanque, no rádio, na televisão ou no horário eleitoral. Acontece também na tela do telefone, onde o eleitor recebe uma notícia, depois um vídeo de candidato, em seguida uma opinião de influenciador e, logo depois, uma mensagem enviada por alguém da família.
Tudo em poucos segundos.
A diferença é que o jornalismo profissional precisa sobreviver justamente nesse ambiente sem abrir mão daquilo que o diferencia: apuração, responsabilidade e compromisso com os fatos.
A eleição de 2026 mostra que a influência não está concentrada em uma única fonte. O eleitor está sendo disputado por todos os lados.
Mas o Datafolha deixa uma fotografia importante: antes dos influenciadores, antes dos grupos de mensagens e até mesmo antes dos próprios candidatos, estão os veículos jornalísticos e os jornalistas.
Isso não significa que o jornalista decide a eleição.
Significa que ele continua sendo uma das principais portas pelas quais o eleitor entra na informação eleitoral.
E isso tem peso.
A urna continua sendo o destino final. Mas antes dela existe uma longa estrada de notícias, entrevistas, opiniões, vídeos, debates, denúncias, explicações e informações.
Nessa estrada, o jornalista continua na linha de frente.
E talvez essa seja a principal mensagem desta pesquisa: em uma eleição onde todo mundo quer falar, o eleitor ainda procura quem tem a responsabilidade de fazer notícia.
Influenciadores virão depois. Candidatos virão depois. Grupos de mensagens virão depois.
Primeiro vem a notícia.
E, quando a notícia é séria, quem está por trás dela precisa ser reconhecido, valorizado e, sobretudo, protegido.
Fonte: Datafolha, pesquisa realizada em 1º e 2 de setembro de 2026, com 2.002 eleitores em 125 municípios, registrada no TSE sob o código BR-03669/2026.
Por Jornalista Arinos Monge



