A nova pesquisa Quaest para o Governo do Rio de Janeiro colocou Douglas Ruas no centro das atenções ao mostrar o candidato passando de 14% para 18%. São quatro pontos a mais em relação ao levantamento anterior. Mas, quando os números são colocados lado a lado, a pesquisa conta uma história mais interessante do que simplesmente dizer que Douglas cresceu e os demais perderam.
Eduardo Paes continua na frente e também cresceu. Saiu de 37% para 39%. Anthony Garotinho passou de 7% para 8%. Cyro Garcia foi de 1% para 2%. Quem perdeu espaço foi William Siri, que caiu de 3% para 1%. Coronel Busnello permaneceu em 1%. Juliete deixou de pontuar, enquanto Luan Monteiro e André Marinho continuaram sem alcançar 1%.
Mas existe um personagem importante nessa fotografia que não aparece como candidato: o eleitor indeciso.
Na pesquisa anterior, 20% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar. Agora são 16%. São quatro pontos percentuais a menos. Exatamente os mesmos quatro pontos que Douglas Ruas ganhou.
Isso chama atenção, mas não autoriza uma conclusão automática de que os quatro pontos dos indecisos foram parar no candidato do PL. A pesquisa não acompanhou individualmente os mesmos eleitores de uma rodada para outra. São amostras diferentes. Portanto, o que existe é uma coincidência numérica importante, não uma comprovação de transferência direta.
E é justamente aí que a pesquisa fica interessante.
O eleitorado começa a sair da zona de indefinição. Douglas aparece como um dos nomes que avançaram nesse processo, mas não foi o único. Paes também cresceu dois pontos. Garotinho ganhou um. Cyro ganhou um. Ao mesmo tempo, Siri perdeu dois e outros candidatos oscilaram.
Ou seja: não existe uma fotografia de “Douglas subiu porque alguém despencou”. Não houve uma queda de quatro, cinco ou seis pontos de um concorrente que explique matematicamente a subida do segundo colocado.
Garotinho, por exemplo, não entregou quatro pontos para Douglas. Pelo contrário. O ex-governador saiu de 7% para 8%. Na fotografia da pesquisa, continua praticamente no mesmo lugar, embora ainda carregue um índice de rejeição muito alto.
Também não é possível dizer que Paes perdeu terreno para Douglas. A conta mostra exatamente o contrário. O atual líder da pesquisa foi de 37% para 39%. Portanto, os dois cresceram na mesma rodada, mas em velocidades diferentes.
É nesse ponto que aparece uma diferença fundamental entre os dois principais nomes.
Douglas ganhou quatro pontos na pesquisa estimulada, aquela em que o entrevistado recebe uma lista com os nomes dos candidatos. Paes ganhou dois. Mas, quando o instituto retira a lista e pergunta espontaneamente em quem o eleitor pretende votar, o comportamento muda.
Na pesquisa espontânea, Paes saltou de 16% para 22%. Douglas passou de 7% para 9%. O crescimento de Paes foi de seis pontos, enquanto o de Douglas foi de dois.
E o número mais impressionante continua sendo o dos indecisos. Mesmo na pergunta espontânea, 64% dos entrevistados ainda não apontaram espontaneamente um candidato.
Isso mostra que existe uma parcela enorme do eleitorado que ainda está sendo formada politicamente. O eleitor sabe que haverá eleição para governador, mas uma parcela muito grande ainda não transformou esse conhecimento em uma escolha definitiva.
A pesquisa estimulada, portanto, funciona como uma espécie de fotografia de reconhecimento dos nomes. Quando os candidatos são apresentados, Douglas chega aos 18%. Quando ninguém é apresentado e o eleitor precisa lembrar sozinho, ele aparece com 9%.
Paes também apresenta diferença entre os dois cenários, mas sua lembrança espontânea é maior. Ele chega a 22% sem receber a lista de nomes.
Isso ajuda a explicar por que os quatro pontos de Douglas precisam ser analisados com cuidado. O crescimento existe no número divulgado pela pesquisa, mas ainda não é possível dizer que os quatro pontos representam uma transferência consolidada de votos de outros candidatos.
Há ainda a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Isso significa que pequenas diferenças entre uma pesquisa e outra precisam ser observadas com cautela. O avanço de Douglas merece atenção, mas não deve ser tratado como uma explosão eleitoral isolada.
A fotografia do momento é mais complexa.
Paes tinha 37% e foi para 39%. Douglas tinha 14% e foi para 18%. Garotinho tinha 7% e foi para 8%. Cyro tinha 1% e foi para 2%. Siri tinha 3% e caiu para 1%. Os indecisos foram de 20% para 16%. Branco, nulo e aqueles que disseram que não vão votar também diminuíram, de 16% para 14%.
É uma eleição que começa, portanto, a tirar eleitores da indefinição. E Douglas está entre aqueles que conseguiram transformar parte desse ambiente de incerteza em intenção de voto. Só que Paes também está fazendo isso, e em números importantes.
A diferença aparece quando se olha para a frente da corrida. Paes tem 39% contra 18% de Douglas. São 21 pontos separando os dois.
No segundo turno, a distância também permanece grande. Contra Douglas, Paes aparece com 52%, enquanto Douglas marca 26%. Na pesquisa anterior, o placar era 50% para Paes contra 20% para Douglas. Houve crescimento dos dois, mas Paes continua mantendo vantagem expressiva.
Contra Garotinho, Paes aparece com 53% contra 17%. Isso mostra que a posição de Garotinho na pesquisa de primeiro turno não se transforma automaticamente em uma força equivalente num eventual segundo turno.
E há um detalhe político-eleitoral que não pode ser ignorado: a pesquisa foi realizada presencialmente, com 1.302 eleitores, entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, com 95% de nível de confiança. O levantamento foi contratado pela Globo e registrado no TSE sob o número RJ-04768/2026.
Portanto, não foi uma pesquisa feita perguntando apenas “Paes ou Douglas?”. O eleitor recebeu uma relação de candidatos no cenário estimulado. Na rodada divulgada, Paes aparece com 39%, Douglas Ruas com 18%, Garotinho com 8%, Cyro Garcia com 2%, William Siri e Coronel Busnello com 1%, enquanto Juliete, Luan Monteiro e André Marinho não chegaram a pontuar. Os indecisos ficaram em 16% e branco, nulo ou não vai votar em 14%.
A pesquisa anterior, feita entre 21 e 24 de agosto, apresentava Paes com 37%, Douglas com 14%, Garotinho com 7%, Siri com 3%, três nomes com 1% e os demais sem pontuação. Naquela rodada, os indecisos eram 20%.
A leitura dos números, então, não permite dizer que houve uma debandada de eleitores de Garotinho para Douglas, nem que Paes tenha perdido votos para o presidente da Alerj. O que aparece é outra coisa: o eleitorado está começando a escolher.
Douglas avançou quatro pontos na pesquisa estimulada. Paes avançou dois. Garotinho avançou um. Outros candidatos oscilaram para cima ou para baixo. E os indecisos diminuíram quatro pontos.
A grande pergunta que fica para a próxima pesquisa não é apenas se Douglas vai manter os 18%. É saber de onde virão os próximos votos quando os 16% de indecisos começarem a escolher definitivamente.
Por enquanto, a matemática mostra uma liderança de Paes que permanece larga, um Douglas Ruas que ganhou espaço e um Garotinho que praticamente ficou estacionado. E, no meio dessa disputa, está o eleitor indeciso, que começa a sair do muro.
É esse eleitor, e não uma suposta queda de Garotinho, que aparece como o grande território ainda aberto da eleição.
Fontes: Quaest; Tribunal Superior Eleitoral; Folha de S.Paulo; UOL; CNN Brasil.
Por Jornalista Arinos Monge



