Relatos de atendimentos colocam o problema no radar do Rio, Metropolitana e Baixada; ainda não há confirmação oficial de surto, mas rede de saúde precisa observar o aumento de casos
Hospitais e UPAs da Baixada Fluminense já estão recebendo pacientes com queixas envolvendo os olhos, principalmente inflamação, vermelhidão, coceira, secreção e inchaço das pálpebras. A informação chegou à reportagem por profissionais que acompanham os atendimentos. A fonte não será identificada.
Ainda não existe confirmação oficial de que estamos diante de um surto. Mas o volume de relatos é suficiente para acender o sinal de atenção e pedir que hospitais, UPAs e clínicas do Rio, da Região Metropolitana e da Baixada observem o que está chegando aos consultórios e às portas de emergência.
Para falar de maneira simples, um dos problemas que precisa ser investigado é a chamada “infecção das pálpebras”, conhecida pelos médicos como celulite pré-septal ou periorbital. Ela pode provocar pálpebra muito inchada, vermelha, quente e dolorida, além de febre. Em alguns casos, o inchaço dificulta até a abertura do olho.
Mas existem outros quadros que podem apresentar sintomas parecidos, principalmente conjuntivites infecciosas. Nesses casos, a atenção com as mãos é fundamental. A pessoa coça o olho, depois aperta a mão de alguém, pega no celular, na maçaneta ou no corrimão. Outra pessoa toca nesses locais e leva a mão ao rosto ou aos olhos. É assim que uma corrente de transmissão pode ser formada em infecções contagiosas dos olhos.
Por isso, o cuidado é simples: lavar as mãos com água e sabão sempre que possível e usar álcool em gel quando não houver água disponível. Evitar coçar os olhos, não compartilhar toalhas, maquiagem ou objetos que tenham contato com a região dos olhos e procurar atendimento quando os sintomas forem importantes.
Os sinais que merecem atenção são olho vermelho, coceira, ardência, lacrimejamento, secreção, sensação de areia ou cisco, pálpebras inchadas, dor e dificuldade para abrir os olhos. Se aparecer febre, alteração da visão, dor ao movimentar o olho, dificuldade para movimentá-lo, olho projetado para frente ou piora rápida, a avaliação médica deve ser imediata, porque pode haver uma infecção mais profunda e grave.
A rede de saúde precisa observar se os atendimentos são casos isolados ou se existe aumento fora do habitual. É importante registrar sintomas, idade, diagnóstico, necessidade de antibiótico, encaminhamento para oftalmologia e eventual internação.
O alerta, portanto, não é para causar pânico. É para prestar atenção. Quanto mais cedo os serviços perceberem uma mudança no número e no tipo de casos, mais rápido será possível descobrir o que está acontecendo.
Por Jornalista Arinos Monge
Imagem: WIKIPEDIA
FONTES:
Manuais MSD
Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica
Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro
LEVANTAMENTO:
Informações recebidas pela reportagem e referências médicas públicas consultadas em setembro de 2026.



