Mudanças no tempo podem agravar sintomas respiratórios. Projeto oferece teste do sopro gratuito no RJ
Calor forte. Frio. Chuva. Tempo seco. A mudança rápida nas condições do tempo pode ser mais incômoda para quem já sofre com problemas respiratórios. O tema ganha força com a chegada da primavera e o avanço do El Niño. Segundo o INMET e o INPE, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno ser classificado como muito forte entre setembro e novembro. Os números também indicam que o fenômeno deve persistir até pelo menos o início de 2027.
O alerta chegou também ao Ministério da Saúde, que publicou, em 14 de setembro, uma nota técnica específica sobre a vigilância de covid-19, influenza e outros vírus respiratórios diante dos impactos previstos do El Niño.
Em Nova Iguaçu, 338 crianças foram internadas em quatro meses
Na Baixada Fluminense, os números dão uma dimensão do problema. O Hospital Geral de Nova Iguaçu registrou 409 internações de crianças por doenças respiratórias em 2026. Desse total, 338 aconteceram entre abril e julho, o equivalente a 82,6% das hospitalizações pediátricas por doenças respiratórias registradas no período.
Junho foi o mês com maior número de internações: 110 crianças. Nas primeiras semanas de agosto, o hospital ainda registrava uma média de 10 crianças internadas por dia por problemas respiratórios. A maioria dos pacientes tinha entre os primeiros meses de vida e 3 anos de idade.
Entre os principais diagnósticos estavam bronquiolite, pneumonia, crises de asma e influenza. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a queda das temperaturas, o tempo mais seco e a maior permanência em ambientes fechados estão entre as condições que favorecem a circulação de vírus e bactérias.
Anos convivendo com tosse e dificuldade para respirar
A aposentada Luci Cavalcanti, do Rio de Janeiro, conta que chegou a passar por momentos de preocupação por causa de uma tosse intensa e de dificuldades para respirar. Os sintomas eram persistentes e fizeram com que ela procurasse atendimento em hospitais públicos e realizasse exames para investigar o que estava acontecendo. “Eu tinha uma tosse horrível e o problema da respiração. Fui aos hospitais públicos, fiz exames do pulmão, mas não deu nada. E eu continuava com aquela tosse e com dificuldade para respirar”, relata.
Sem uma explicação para os sintomas a partir dos exames que realizou, Luci conta que posteriormente começou um tratamento no Projeto Brasil sem Alergia. Segundo ela, foi a partir desse acompanhamento que percebeu uma mudança no quadro. “Quando fui me tratar com o Dr. Marcelo, acabou o problema da respiração e aquela tosse que eu tinha”, afirma.
Quando é hora de investigar?
Para a médica alergista e cofundadora do Brasil Sem Alergia, Dra. Patrícia Frozi Schlinkert, sintomas respiratórios persistentes precisam ser investigados. “Uma tosse persistente, falta de ar aos esforços ou desconforto respiratório durante atividades físicas podem ser sinais de inflamação pulmonar. O diagnóstico é importante para que o paciente receba o tratamento adequado e tenha sua função pulmonar acompanhada”, explica.
Uma das ferramentas que pode auxiliar nessa investigação é a espirometria, conhecida popularmente como “teste do sopro”.
O exame mede a quantidade e a velocidade do ar que entra e sai dos pulmões e pode auxiliar na investigação e no acompanhamento de doenças respiratórias, como asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
É nesse contexto que o Brasil Sem Alergia realiza, durante setembro, mutirões gratuitos de espirometria em diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro. A iniciativa busca ampliar o acesso da população à avaliação da função pulmonar e estimular a investigação de sintomas respiratórios persistentes.
Criado em 2007, em Duque de Caxias, o Brasil Sem Alergia começou como uma iniciativa voluntária voltada ao atendimento de moradores afetados pela fuligem da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc).
Segundo a organização, o projeto já realizou mais de 700 mil atendimentos gratuitos e atualmente promove ações em diferentes regiões do estado, incluindo Duque de Caxias, Xerém, Realengo, Nova Iguaçu, Itaguaí e Niterói.
SERVIÇO
O quê: Mutirão gratuito de prova de função pulmonar (espirometria)
Onde: Diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro
Quando: Setembro de 2026
Quem pode participar: Pessoas com pedido médico para realização da prova de função pulmonar
Agendamento: (21) 4063-8720 – WhatsApp
Atendimento: Gratuito, mediante agendamento e apresentação de pedido médico.



