Abalo político em Nilópolis vira alerta em Nova Iguaçu: cassação por fraude à cota de gênero coloca Rodrigo Luiz e Marquinhos do Chapéu no centro da expectativa política
Decisão do TRE-RJ que derrubou a chapa da Federação PSOL/Rede em Nilópolis aumenta tensão em Nova Iguaçu, onde processo semelhante envolvendo candidaturas femininas aguarda julgamento e pode mexer diretamente na composição da Câmara Municipal
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que manteve a cassação da chapa proporcional da Federação PSOL/Rede em Nilópolis acendeu de vez o sinal de alerta no tabuleiro político da Baixada Fluminense. O caso, que trata de fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024, já começa a provocar reflexos diretos em Nova Iguaçu, onde outro processo semelhante avança dentro da própria Corte Eleitoral.
No caso de Nilópolis, o TRE-RJ negou novo recurso da candidata Camila Soares e manteve o entendimento de que sua candidatura teria sido utilizada apenas para cumprir formalmente o percentual mínimo de mulheres exigido pela legislação eleitoral. A decisão, assinada pelo presidente da Corte, desembargador Claudio de Mello Tavares, também determinou o cumprimento imediato do acórdão.
Com isso, os votos da Federação seguem anulados e a Justiça Eleitoral realizará a retotalização oficial no município, cenário que deve provocar mudanças na composição da Câmara de Vereadores. O vereador Jorjão, eleito pela federação, pode perder o mandato.
Entre os elementos apontados pelo TRE-RJ para confirmar a fraude estão votação considerada inexpressiva, ausência de campanha efetiva, prestação de contas zerada, inexistência de movimentação financeira e ausência de divulgação eleitoral nas redes sociais. O fato de a candidata ter recebido apenas um voto também foi destacado pela Corte.
A repercussão da decisão caiu como uma bomba nos bastidores de Nova Iguaçu. Isso porque um processo semelhante envolvendo supostas irregularidades em candidaturas femininas também já se encontra no TRE-RJ e aguarda inclusão em pauta de julgamento.
Nos corredores da política iguaçuana, os nomes dos suplentes Rodrigo Luiz e Marquinhos do Chapéu já circulam em meio à expectativa sobre os possíveis desdobramentos da ação. A avaliação de aliados e observadores políticos é de que o entendimento aplicado em Nilópolis pode servir como parâmetro jurídico para o julgamento em Nova Iguaçu.
Diferente do caso nilopolitano, porém, o processo iguaçuano envolve discussões mais amplas sobre movimentações financeiras e estrutura de campanha, fator que tem ampliado ainda mais a atenção nos bastidores políticos da cidade.
A expectativa agora gira em torno da próxima sessão do TRE-RJ, que pode colocar o processo de Nova Iguaçu na pauta já nos próximos dias. Enquanto isso, a tensão cresce entre grupos políticos, suplentes e vereadores que acompanham cada movimentação da Justiça Eleitoral.
Na prática, o caso de Nilópolis passou a ser visto como uma espécie de termômetro jurídico para processos semelhantes na Baixada Fluminense, principalmente em municípios onde denúncias sobre candidaturas femininas fictícias chegaram ao conhecimento da Justiça Eleitoral.
Se em Nilópolis a decisão já provocou abalo político imediato, em Nova Iguaçu o clima é de espera, articulação e muita apreensão nos bastidores.
Por Jornalista Arinos Monge



