ONU alerta: El Niño histórico e fenômeno duplo ameaçam elevar temperaturas globais a níveis recordes
Agência meteorológica prevê intensificação a partir de agosto; combinação com Dipolo do Oceano Índico deve amplificar secas, enchentes e incêndios florestais em escala planetária.
GENEBRA – A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço climático da Organização das Nações Unidas (ONU), acendeu o sinal de alerta máximo nesta sexta-feira (31). Em comunicado oficial, a agência informou que o fenômeno El Niño deve registrar uma forte intensificação a partir do mês de agosto. A previsão indica que a anomalia climática não apenas elevará as temperaturas globais significativamente acima da média, mas também provocará alterações drásticas nos padrões de chuva em todo o planeta.
O cenário atual ganha contornos ainda mais preocupantes devido à concomitância de um segundo evento: o Dipolo do Oceano Índico (IOD) em sua fase positiva. Este fenômeno caracteriza-se pelo aquecimento incomum das águas no setor ocidental do Oceano Índico (próximo à África), enquanto a porção oriental (próxima à Austrália e Indonésia) registra temperaturas mais frias do que o normal.
Efeito cascata e eventos extremos
De acordo com os meteorologistas da ONU, a atuação simultânea do El Niño e do IOD positivo funciona como um multiplicador de forças na atmosfera. O resultado prático dessa combinação é o aumento exponencial do risco de desastres naturais severos em escala regional, incluindo:
- Secas prolongadas em áreas agrícolas estratégicas;
- Inundações devastadoras causadas por volumes atípicos de chuva;
- Incêndios florestais de grandes proporções em regiões sob calor extremo.
“Estamos diante de uma configuração climática que exige resposta imediata”, destacou a agência no comunicado.
Mobilização internacional
Diante da gravidade das projeções, a OMM informou que está intensificando a mobilização de suas equipes, além de ampliar a oferta de serviços de apoio e difusão de informações técnicas. O objetivo principal é fornecer subsídios para que os governos nacionais consigam se antecipar aos impactos do fenômeno, estruturando planos de contingência para mitigar os prejuízos humanitários e econômicos.
Especialistas alertam que países em desenvolvimento e nações dependentes do setor agropecuário devem ser os mais afetados pelas oscilações climáticas dos próximos meses.
(Com informações da Agência Brasil)




