OPERAÇÃO CAIXA-PRETA: POLÍCIA PRENDE SUSPEITO DE COMANDAR ESQUEMA MILIONÁRIO DE VENDA ILEGAL DE DADOS
DRCI apreende celulares, notebook, cartões e bases de dados durante operação na Baixada Fluminense; investigação também busca identificar compradores e outros integrantes do grupo
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), cumpriu na manhã desta segunda-feira um mandado de prisão preventiva contra Leonardo, apontado pelos investigadores como responsável pela estrutura financeira e tecnológica de uma organização suspeita de atuar na comercialização ilegal de dados pessoais.
A prisão faz parte da Operação Caixa-Preta, investigação que começou a partir do monitoramento de plataformas clandestinas de consulta de informações e de canais utilizados para a comercialização desses dados.
Segundo a investigação, os serviços funcionavam tanto na chamada Surface Web, a internet convencional, quanto em canais de aplicativos de mensagens.
INVESTIGAÇÃO CHEGOU À BAIXADA
O caminho até o suspeito teria começado pelo rastreamento das movimentações financeiras realizadas por usuários que adquiriam créditos para acessar as plataformas.
A partir do cruzamento dessas informações, os investigadores chegaram a contas bancárias relacionadas a empresas que teriam sido abertas em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
De acordo com a polícia, as empresas apresentavam movimentações financeiras incompatíveis com a estrutura declarada e com as atividades formalmente registradas.
A análise financeira passou a ser uma das principais linhas da investigação para identificar a dimensão do esquema e os responsáveis pela operação.
EQUIPAMENTOS SÃO APREENDIDOS
Durante o cumprimento do mandado de busca no imóvel do investigado, os agentes apreenderam equipamentos que agora serão submetidos à perícia.
Entre os materiais recolhidos estão oito smartphones, um notebook, cartões e chips telefônicos, além de arquivos digitais que, segundo a investigação, podem conter informações sobre a estrutura utilizada pelo grupo.
Também foram localizadas bases de dados em formato SQL contendo informações pessoais, como CPF, nomes, endereços e dados relacionados ao perfil financeiro de brasileiros.
O conteúdo foi encaminhado para a sede da DRCI, na Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio, onde peritos trabalham na extração e análise dos dados, conforme autorização judicial.
INVESTIGAÇÃO APURA VENDA DE FERRAMENTAS PARA FRAUDES
Um dos pontos considerados mais relevantes pelos investigadores é a suspeita de que a estrutura não se limitava à comercialização de informações pessoais.
A investigação aponta que o grupo também disponibilizava ferramentas conhecidas no meio criminoso como “checkers”, utilizadas por fraudadores para verificar grandes listas de dados de cartões obtidos ilegalmente.
Essas ferramentas teriam sido oferecidas mediante assinatura e utilizadas para identificar cartões que permaneciam ativos, facilitando a ação de criminosos interessados em realizar compras fraudulentas.
A polícia investiga se a estrutura tecnológica era desenvolvida ou administrada diretamente pelo grupo e quem seriam os responsáveis pela manutenção dos sistemas.
SERVIDORES NO EXTERIOR ENTRAM NO RADAR
Com a apreensão dos equipamentos, a expectativa dos investigadores é avançar sobre a estrutura tecnológica utilizada pela organização.
Uma das linhas da apuração envolve servidores que estariam hospedados fora do Brasil.
A perícia digital deverá analisar computadores e celulares em busca de registros de comunicação, movimentações financeiras, arquivos, credenciais e outros elementos que possam ajudar a identificar integrantes da organização e fornecedores de tecnologia.
Os investigadores também pretendem chegar aos compradores dos dados e das ferramentas, ampliando a apuração para além dos responsáveis pela administração das plataformas.
PRISÃO É PREVENTIVA
Leonardo foi preso preventivamente por decisão judicial. A prisão, portanto, ocorre durante a fase de investigação e não representa condenação definitiva.
A partir da análise do material apreendido, a Polícia Civil poderá identificar novas pessoas envolvidas no esquema e verificar o papel de cada investigado.
A Operação Caixa-Preta deve continuar com o objetivo de dimensionar a rede de comercialização ilegal de dados, identificar os responsáveis pela infraestrutura tecnológica e financeira e chegar aos usuários que teriam adquirido informações ou ferramentas utilizadas em fraudes.
A investigação segue em andamento.



