Candidato do União Brasil já foi barrado na disputa pela Prefeitura de Nova Iguaçu e agora enfrenta decisão de inelegibilidade por oito anos; candidatura a deputado federal foi registrada enquanto processo ainda pode chegar ao TRE-RJ e ao TSE
NOVA IGUAÇU — Clébio Jacaré está de volta às urnas — mas, novamente, acompanhado de perto pela Justiça Eleitoral.
O empresário Clébio Lopes Pereira, o Clébio Jacaré (União Brasil), registrou candidatura a deputado federal para as eleições de 2026. O problema é que, antes de chegar ao pedido de registro, ele já havia recebido uma nova decisão da Justiça Eleitoral de Nova Iguaçu que o declarou inelegível por oito anos.
A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada. Portanto, Jacaré não está definitivamente fora da eleição. Mas sua situação jurídica é hoje uma das que merecem atenção na corrida eleitoral da Baixada.
A NOVA CONDENAÇÃO
Em maio de 2026, a 156ª Zona Eleitoral de Nova Iguaçu declarou Clébio Jacaré inelegível por oito anos em uma ação relacionada à campanha municipal de 2024.
O processo apurou condutas consideradas abusivas durante a campanha, com destaque para ações de mobilização e distribuição de materiais e brindes que, segundo a decisão, teriam ultrapassado os limites permitidos pela legislação eleitoral.
Entre os elementos analisados pela Justiça estão registros em redes sociais, eventos e ações de campanha envolvendo Jacaré e o candidato a vereador Marcelo Fernandes Loureiro, o Marcelinho das Crianças, também atingido pela decisão.
A Justiça entendeu que o conjunto das ações tinha potencial para comprometer a igualdade entre os candidatos e a normalidade das eleições.
O resultado foi uma condenação que, se mantida nas instâncias superiores, poderá atingir diretamente a participação eleitoral de Jacaré.
NÃO É A PRIMEIRA VEZ
A situação atual não surgiu do nada.
Durante a eleição municipal de 2024, Jacaré também teve problemas com a Justiça Eleitoral.
Em 30 de agosto de 2024, a 156ª Zona Eleitoral indeferiu o registro de sua candidatura à Prefeitura de Nova Iguaçu. Na ocasião, o processo envolvia questionamentos relacionados à documentação apresentada e ao conjunto de anotações criminais apontadas pelo Ministério Público Eleitoral.
A decisão foi posteriormente mantida pelo TRE-RJ em outubro daquele ano.
Jacaré disputou aquela eleição sub judice, mas seus votos acabaram anulados após o indeferimento definitivo do registro.
AGORA, O DESAFIO É OUTRO
Em 2026, o cenário é diferente.
Jacaré não está tentando novamente a Prefeitura. Desta vez, apresentou seu nome para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
E o registro foi efetivamente apresentado à Justiça Eleitoral.
Segundo os dados divulgados sobre a candidatura, Jacaré declarou patrimônio de R$ 57,06 milhões, incluindo aproximadamente R$ 11,95 milhões em dinheiro em espécie.
Mas o patrimônio não é o principal problema jurídico.
O ponto central é a decisão de inelegibilidade por oito anos.
ENTÃO ELE PODE SER CANDIDATO?
É justamente aí que está a disputa.
A existência de uma decisão de primeira instância que declarou Jacaré inelegível não encerra automaticamente a discussão eleitoral.
A defesa pode recorrer ao TRE-RJ e, posteriormente, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, o pedido de registro da candidatura de 2026 será analisado dentro do próprio processo eleitoral.
Ou seja: a candidatura foi registrada, mas a palavra final sobre sua condição eleitoral ainda depende do andamento dos processos e das decisões da Justiça Eleitoral.
O QUE PODE ACONTECER
Há, portanto, três etapas que precisam ser separadas.
Primeiro: Jacaré apresentou o registro de candidatura para deputado federal.
Segundo: existe uma decisão de primeira instância que o declarou inelegível por oito anos.
Terceiro: essa decisão ainda pode ser contestada e chegar às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.
É esse caminho que definirá se o empresário poderá efetivamente disputar a eleição de outubro.
O PASSADO VOLTA AO PRESENTE
O caso de Jacaré chama atenção porque a nova disputa eleitoral acontece menos de dois anos depois de ele ter enfrentado o indeferimento de sua candidatura a prefeito de Nova Iguaçu.
Agora, a história se repete em outro nível.
Ele mudou o cargo em disputa — saiu da corrida pela Prefeitura e entrou na disputa por uma vaga de deputado federal —, mas continua tendo de enfrentar a Justiça Eleitoral no caminho.
Hoje, 11 de agosto, Clébio Jacaré é candidato registrado, mas também é um candidato atingido por uma decisão de inelegibilidade de primeira instância.
A diferença entre uma coisa e outra será decidida nos tribunais.
E, na eleição de 2026, a próxima parada desse processo pode ser justamente o TRE-RJ.



