Varejista fecha 298 lojas, reduz operação e tenta renegociar dívidas diante de uma crise que já dura oito trimestres
A crise apertou de vez para a Casas Bahia. A tradicional varejista registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e admitiu que avalia recorrer novamente à recuperação extrajudicial ou judicial para renegociar suas dívidas e tentar manter a operação de pé. O resultado representa o oitavo trimestre consecutivo de perdas. (Folha de S.Paulo)
A situação levou a empresa a encolher sua estrutura. 298 lojas foram fechadas e cerca de 1.900 funcionários foram desligados, dentro de um processo de redução de custos e revisão do modelo de negócios. A companhia também avalia uma redução significativa do quadro de pessoal. (GZH)
Mas há um detalhe importante nesse prejuízo bilionário: nem todo o rombo representa dinheiro que saiu do caixa. Cerca de R$ 9,1 bilhões do resultado negativo vieram de efeitos contábeis não recorrentes, relacionados principalmente à reestruturação da companhia. Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado teria ficado próximo de R$ 1 bilhão. (UOL Economia)
Mesmo assim, o cenário continua preocupante. A Casas Bahia encerrou junho com patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões e dívida líquida de aproximadamente R$ 1,2 bilhão. A auditoria externa também apontou incertezas relacionadas à continuidade operacional da empresa. (Folha de S.Paulo)
A companhia já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, quando renegociou bilhões de reais em dívidas. Agora, diante de juros ainda elevados, crédito caro, inadimplência das famílias e dificuldades no consumo, a empresa volta a discutir com os credores uma saída para evitar que a crise financeira avance ainda mais. (Folha de S.Paulo)
Apesar do tamanho do prejuízo, a operação não está simplesmente parada. A receita líquida cresceu 1,6%, enquanto a empresa afirma estar concentrando esforços na geração de caixa, na operação digital, na redução de estoques e em uma estrutura física menor. (UOL Economia)
O problema é que, para uma marca que durante décadas fez parte da vida do consumidor brasileiro, o fechamento de quase 300 lojas e milhares de demissões mostram que a Casas Bahia entrou numa fase diferente: agora, a prioridade declarada é sobreviver financeiramente e preservar o caixa.
A pergunta que fica no mercado é direta: a nova reestruturação será suficiente para impedir uma nova recuperação judicial — ou a Casas Bahia terá de voltar aos tribunais para tentar reorganizar suas dívidas?
A informação foi divulgada neste domingo (16) pela Folha de S.Paulo, que acompanha a situação financeira da companhia. (Folha de S.Paulo)



