RICARDO COUTO FICA, E O RIO RESPIRA: STF ADIA DECISÃO SOBRE O GOVERNO DO ESTADO E MANTÉM EM ABERTO O FUTURO DO PALÁCIO GUANABARA
O Rio de Janeiro acordou nesta quinta-feira com uma certeza provisória no Palácio Guanabara: Ricardo Couto continua no comando do Estado. O Supremo Tribunal Federal adiou a análise que poderia mudar o rumo da sucessão estadual e, por enquanto, manteve o cenário que já vinha sendo desenhado nas últimas semanas.
A decisão não efetivou Ricardo Couto como governador definitivo, mas também não determinou sua saída. Na prática, ele continua exercendo o cargo de governador interino enquanto o Supremo não define qual será o caminho constitucional para o Estado até a posse do governador que será escolhido nas urnas.
E é justamente essa espera que transformou uma questão jurídica em um dos assuntos políticos mais delicados do Rio.
A discussão começou depois da saída de Cláudio Castro e da ausência de uma linha sucessória tradicional capaz de assumir o governo sem provocar uma nova disputa institucional. Nesse cenário excepcional, Ricardo Couto, então presidente do Tribunal de Justiça do Rio, assumiu o Palácio Guanabara.
Desde então, a grande pergunta passou a ser: ele deve permanecer até que o eleitor escolha o próximo governador ou a Assembleia Legislativa deve escolher um governador-tampão por meio de uma eleição indireta?
O STF vinha analisando exatamente essa questão. Uma das teses defendidas no julgamento é a realização de uma eleição indireta pela Alerj, com deputados escolhendo governador e vice para comandar o Estado durante o período de transição.
Só que o julgamento não terminou.
Com o adiamento, a situação atual permanece.
E isso significa que Ricardo Couto continua no Guanabara.
Para uma parcela significativa do cenário político fluminense, a permanência do desembargador representa justamente a manutenção de uma solução institucional em um momento de enorme instabilidade. A presença de Couto no governo também evita, pelo menos por enquanto, uma nova disputa política dentro da Assembleia em plena preparação para a eleição estadual.
É importante separar as coisas: não existe, até aqui, uma decisão do STF dizendo que Ricardo Couto permanecerá definitivamente até a posse do próximo governador. O que existe é uma situação provisória que continua porque o Supremo ainda não encerrou o julgamento.
Mas o tempo passou a ser um personagem importante nessa história.
A eleição de outubro está cada vez mais próxima. Os partidos já estão em campanha, os candidatos disputam alianças e os grupos políticos começam a medir forças pelo controle do Estado.
Quanto mais o calendário avança, maior fica o impacto de qualquer decisão do Supremo.
Se a Corte determinar uma eleição indireta, a Alerj terá de escolher rapidamente um governador-tampão. Se mantiver a situação atual, Ricardo Couto poderá continuar conduzindo o Estado durante a maior parte da campanha eleitoral. E se a interpretação for de que ele deve permanecer até a posse do governador eleito, o desembargador poderá comandar a transição até janeiro de 2027.
São três possibilidades com consequências políticas muito diferentes.
Por isso, o adiamento de ontem não deve ser tratado como simples mudança de pauta.
Ele preservou o cenário atual.
E o cenário atual tem Ricardo Couto no Palácio Guanabara.
Para o cidadão comum, a discussão talvez pareça distante, cheia de artigos constitucionais e disputas jurídicas. Mas ela terá reflexos concretos na administração do Estado, nos serviços públicos, nas decisões do governo e, principalmente, na própria eleição que se aproxima.
O Rio vive uma situação incomum: o governador que está no cargo não foi escolhido pelo voto para essa função, mas está administrando o Estado enquanto o Supremo decide qual será o caminho para a sucessão.
Ao mesmo tempo, os eleitores já estão sendo chamados a escolher quem comandará o Rio pelos próximos anos.
É justamente aí que a história ganha um componente humano.
O cidadão quer saber quem está governando, quem toma as decisões e se haverá estabilidade até a eleição. Depois de meses de incerteza política, qualquer mudança brusca no comando do Estado poderá aumentar ainda mais a sensação de insegurança.
Ricardo Couto, por enquanto, permanece.
E a permanência, ainda que provisória, dá ao Rio alguns dias a mais de previsibilidade enquanto Brasília discute o futuro institucional do Estado.
O STF ainda terá de dizer se essa situação pode continuar e por quanto tempo.
Até lá, o Palácio Guanabara permanece com o mesmo ocupante.
E o Rio continua esperando — não apenas por uma decisão dos ministros, mas por uma definição sobre quem terá a responsabilidade de conduzir o Estado até que a voz das urnas dê a palavra final.
Por Jornalista Arinos Monge



