A Polícia Federal apertou o cerco no caso Banco Master e ampliou o foco da investigação para integrantes da Diretoria Colegiada do Banco de Brasília (BRB) que participaram das decisões envolvendo operações bilionárias com o banco.
A PF pediu ao Supremo Tribunal Federal mais prazo para concluir o inquérito e realizar novas diligências, entre elas a tomada de depoimentos de diretores que participaram da aprovação das operações. O pedido está nas mãos do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
A nova frente de investigação coloca uma pergunta incômoda no centro do caso: quem decidiu, quem aprovou e quem sabia dos riscos das operações que movimentaram bilhões de reais?
A apuração já não está concentrada apenas no ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Os investigadores passaram a olhar para a própria estrutura de decisão do banco público, buscando reconstruir a participação individual de outros dirigentes.
Uma auditoria independente entregue à investigação apontou problemas de governança, concentração de riscos e operações que teriam sido aprovadas em desacordo com procedimentos internos.
O tamanho dos negócios ajuda a explicar a preocupação dos investigadores.
Segundo informações apresentadas no âmbito da apuração, o BRB teria adquirido aproximadamente R$ 21,9 bilhões em carteiras do Banco Master. Desse montante, cerca de R$ 12,3 bilhões apresentariam indícios de fraude, ausência de lastro ou problemas documentais.
Agora, a Polícia Federal quer saber como essas operações passaram pelos mecanismos internos de controle.
Quais diretores estavam presentes nas reuniões?
Quem votou pela aprovação?
Houve parecer técnico contrário?
Algum setor do banco alertou para os riscos?
Os diretores tinham conhecimento de problemas na documentação ou no lastro das carteiras?
E, principalmente, por que operações dessa dimensão continuaram avançando?
Essas respostas podem ser decisivas para determinar o tamanho real do caso.
A PF ainda não divulgou oficialmente os nomes dos diretores que passaram a ser alvo dessa nova frente da investigação. Por isso, qualquer nomeação baseada apenas na composição histórica da diretoria seria precipitada.
O que já está claro, porém, é que a investigação subiu um degrau.
O caso deixou de ser apenas uma apuração sobre uma instituição financeira privada e passou a examinar também como um banco público tomou decisões envolvendo bilhões de reais.
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, continua sendo um dos principais nomes relacionados à investigação. Agora, a PF tenta entender se as decisões questionadas foram resultado da atuação isolada de determinados dirigentes ou se fizeram parte de um processo decisório mais amplo dentro da instituição.
A diferença é enorme.
Se houve falha individual, a investigação terá de apontar quem foi responsável.
Se houve conhecimento coletivo, alertas ignorados ou aprovação coordenada de operações de alto risco, o alcance do caso poderá ser muito maior.
Por isso, o novo pedido de prazo da Polícia Federal não deve ser tratado como mera formalidade.
Os investigadores querem mais tempo para cruzar documentos, ouvir dirigentes e reconstruir a trajetória das operações.
No centro dessa história estão R$ 21,9 bilhões em carteiras adquiridas pelo BRB e mais de R$ 12 bilhões apontados em auditoria como problemáticos.
A pergunta que agora pesa sobre o caso é direta:
quem abriu a porta para esses bilhões entrarem no BRB — e quem estava na sala quando as decisões foram tomadas?
A resposta pode revelar que a história do Banco Master dentro do BRB ainda está longe de terminar.




