Ricardo Couto de um lado, Douglas Ruas do outro: a “lei do pente-fino” domina o Rio e a tesourada não para
Enquanto o Governo do Estado promove exonerações e cortes internos, a Alerj cria comissão para revisar gastos e passar as contas públicas na navalha
O Rio de Janeiro entrou oficialmente na era da “tesoura afiada”. De um lado, o governador Ricardo Couto amplia mudanças, exonerações e revisões dentro da máquina estadual. Do outro, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, coloca a Alerj para funcionar no modo pente-fino, criando uma comissão especial para revisar despesas e apertar o controle das contas públicas.
Nos bastidores do poder, a leitura já é clara: o recado agora é cortar excessos, reduzir desgaste político e tentar reorganizar uma estrutura estadual que há anos convive com crises fiscais, rombos históricos e pressão crescente por resultados.
A nova comissão criada por Douglas Ruas terá a missão de analisar gastos, acompanhar o orçamento e identificar distorções dentro das despesas do Estado. O grupo será formado pelos deputados Jair Bittencourt (PL), Alan Lopes (PL), Bruno Dauaire (Federação União-PP) e Tia Ju (Republicanos), além de um integrante do PSD que ainda será indicado.
Enquanto isso, no Palácio Guanabara, Ricardo Couto também vem promovendo mudanças em setores estratégicos do governo. As recentes exonerações no DETRO-RJ acenderam o alerta de que a gestão estadual iniciou uma fase mais rígida de fiscalização, ajustes internos e reorganização política.
Na prática, o Rio vive hoje uma espécie de operação permanente de revisão da máquina pública. A palavra “equilíbrio fiscal” voltou a circular forte nos discursos oficiais, mas nos corredores da política o termo mais ouvido continua sendo outro: corte.
E a tesourada parece longe de acabar.
Entre deputados, secretarias, autarquias e órgãos estaduais, cresce a expectativa sobre quais setores ainda poderão entrar na mira desse novo modelo de controle. Há quem veja responsabilidade fiscal. Há quem enxergue disputa de espaço, reorganização política e pressão para mostrar serviço diante de um estado cansado de crises financeiras e promessas recicladas.
No fim das contas, o Rio segue tentando fazer aquilo que há anos parece impossível: fechar a conta sem aumentar ainda mais o peso sobre a população.
Por Jornalista Arinos Monge



